21 de Novembro de 2013 / às 23:58 / 4 anos atrás

Desemprego no Brasil cai ao menor nível no ano, mas renda para de crescer

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) - A taxa de desemprego brasileiro atingiu em outubro o melhor resultado do ano ao cair para 5,2 por cento, ante 5,4 por cento em setembro, mas o rendimento da população registrou leve queda após dois meses de alta.

O desemprego divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também representa o menor patamar para o mês de outubro desde que a série foi iniciada em 2002.

O resultado foi melhor do que as expectativas, segundo pesquisa da Reuters, cuja mediana de 25 analistas consultados apontava para uma taxa de 5,3 por cento.

“Os custos muito elevados para demissão e o mercado de trabalho ainda relativamente aquecido, que levariam a dificuldades e maiores preços para contratação em caso de retomada econômica, têm conseguido evitar uma taxa de desemprego mais elevada”, avaliou a Rosenberg Consultores Associados em nota.

A população ocupada cresceu 0,4 por cento em outubro na comparação com setembro e recuou 0,4 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 23,279 milhões de pessoas.

Enquanto isso, a população desocupada chegou a 1,270 milhão de pessoas, queda de 4,4 por cento ante setembro, e recuo de 3,3 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

Em outubro, a formalização do emprego aumentou 0,5 por cento ante setembro, ou seja, 55 mil pessoas a mais passaram a trabalhar com carteira assinada.

Em relação aos setores de atividade, a indústria demitiu 90 mil pessoas no mês passado em meio à fraqueza vista neste ano no setor. Já o comércio teve aumento de 164 mil vagas na comparação mensal.

Na média do ano, a taxa de desemprego está em 5,6 por cento, ante 5,7 por cento nos 10 primeiros meses de 2012. Já o rendimento cresceu 1,6 por cento na média de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o IBGE.

O Ministério do Trabalho e Emprego divulga ainda nesta quinta-feira os dados de outubro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

INATIVIDADE

O IBGE destacou ainda o aumento da inatividade em outubro ante setembro, uma vez que a população que não é economicamente ativa aumentou 3,5 por cento, ou mais de 623 mil pessoas. Em setembro esse aumento havia sido de 442 mil pessoas.

Segundo o IBGE, a taxa foi puxada pelas pessoas que não trabalham, não procuram e não querem trabalhar, que aumentou 4,9 por cento em outubro ante o mesmo mês de 2012, ou 789 mil pessoas.

A taxa de desemprego poderia ser pressionada se essas pessoas passassem a procurar trabalho ou entrassem na população ocupada.

O nível baixo de desemprego em outubro ajudava a puxar as taxas de juros futuros nesta sessão, ao aumentar as preocupações em torno da inflação via consumo.

RENDIMENTO

Os níveis baixos nos quais o desemprego vem se mantendo ajudam no desempenho do consumo no país. Em setembro, as vendas no varejo cresceram pelo sétimo mês seguido, ainda que o ritmo tenha mostrado desaceleração com alta de 0,5 por cento.

Mas se o desemprego caiu em outubro, o rendimento médio da população ocupada caiu 0,1 por cento, atingindo 1.917,30 reais, interrompendo dois meses seguidos de alta. Na comparação com o mesmo mês de 2012, o rendimento subiu 1,8 por cento.

“(Esse movimento) não pode ser creditado só à inflação. Pode estar havendo contratações a salários mais baixos, menos horas trabalhadas e mais demissões. Provavelmente, é a combinação desses fatores”, destacou a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy, considerando que a taxa de desemprego representa estabilidade.

Antes de subir em agosto e setembro, o rendimento médio da população ocupada havia registrado cinco quedas seguidas, como resultado da inflação elevada. Em outubro, o IPCA acelerou a alta a 0,57 por cento, pressionado pelos preços de alimentos.

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