Crédito de etanol nos EUA reflete risco em proposta de agência ambiental

sexta-feira, 22 de novembro de 2013 15:56 BRST
 

Por Cezary Podkul

NOVA YORK, 22 Nov (Reuters) - Em teoria, a proposta da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos de cortar a mistura de etanol na gasolina no próximo ano deveria ter reduzido o valor dos créditos para cumprir o mandato a perto de zero.

Com a meta de mistura menor sugerida para o próximo ano, haveria poucos incentivos para as refinarias estocarem os chamados números de identificação de renováveis (RINs, na sigla em inglês), créditos usados por elas para mostrar que a meta de uso de biocombustível foi cumprida.

Com a meta de 2014 fácil de ser alcançada, deveria haver um excesso de RINs disponíveis para cumprir o mandato da EPA.

Mas em vez disso, depois de breve queda, os RINs do etanol agora são negociados perto de 21 centavos cada, ligeiramente abaixo do que estavam antes do anúncio da EPA. O recuo surpreendemente pequeno ilustra o prêmio que os traders estão colocando por causa das incertezas que perduram sobre a controversa decisão de pisar no freio após oito anos de crescimento dos biocombustíveis.

"Se em algum momento no próximo ano a justiça indeferir a EPA e disser que parte de seus argumentos legais para relaxar parte do mandato não é válida, então você terá um cenário de retomada dos preços de 2013", disse Scott Irwin, um economista agrícola, da universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

"O mercado tem de balancear o preço com base nestes dois resultados e é onde você vê os preços agora", disse Irwin.

A incerteza resultante nos prêmios para os créditos de etanol deve continuar a adicionar alguns centavos aos preços da gasolina nos próximos meses.

Os preços dos RINs de etanol tiveram forte alta do final de dezembro até meados de julho, puxando os custos da gasolina e dando às refinarias poderoso argumento em sua luta contra o etanol. Os preços começaram a despencar em agosto quando a EPA disse que usaria "flexibilidades" da lei para baixar o mandato em 2014, sinalizando planos para reduzir a determinação.

No anúncio desta sexta-feira, a EPA disse que buscará reduzir o mandato de etanol para cerca de 13 bilhões de galões em 2014, contra 14,4 bilhões de galões exigidos por lei. Representantes do setor de etanol, como a Associação dos Combustíveis Renováveis, já indicaram que adotarão ações legais para evitar que o corte seja efetivado.

Nenhum processo judicial pode ser aberto até que a agência finalize oficialmente suas regras, o que é esperado para junho. Mesmo assim, o mais rápido que um tribunal poderia decidir seria no prazo de cerca de 90 dias, significando que os créditos de etanol poderiam manter seu valor por cerca de mais um ano.