23 de Novembro de 2013 / às 18:33 / 4 anos atrás

Superado impasse entre ricos e pobres em negociações climáticas da ONU

Por Alister Doyle e Nina Chestney

VARSÓRVIA, 23 Nov (Reuters) - Quase 200 nações mantiveram vivo nesse sábado o plano para se chegar a um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas em 2015, com países pobres e ricos alcançando um compromisso de compartilhar os esforços necessários para desacelerar o aquecimento global.

Uma negociação de duas semanas em Varsóvia deveria ter terminado na sexta-feira, mas ficou retida por um impasse a respeito dos prazos para o primeiro acordo climático da ONU, em que ficariam estabelecidas obrigações para todos os países na emissão de gases.

Os negociadores finalmente concordaram que todos os países devem trabalhar para conter as emissões -um processo descrito no jargão como "contribuições intencionais determinadas nacionalmente"- os mais cedo possível e idealmente até o primeiro trimestre de 2015.

O acordo deu fim ao impasse entre países ricos e pobres sobre o compartilhamento do fardo de ter que limitar as emissões, culpadas pelo incremento de ondas de calor, secas e aumento do nível do mar.

De acordo com o último pacto climático, o Protocolo de Kyoto, somente os países mais desenvolvidos seriam obrigados a limitar suas emissões -uma das principais razões para os Estados Unidos terem se recusado a aderir ao pacto, alegando que economias em rápido crescimento como China e Índia também deveriam assumir a responsabilidade.

"Somente nos últimos momento os negociadores em Varsóvia cederam o suficiente para que o processo continue", disse Jennifer Morgan, integrante do centro de pesquisa World Resources Institute.

A China insistiu que os países desenvolvidos deveriam anunciar cortes profundos nas emissões, abrindo espaço para economias emergentes queimarem mais combustíveis fósseis para combater o fim da pobreza.

Mas os EUA argumentaram que todas as nações concordaram em 2012 que o acordo de 2015 seria "aplicável a todos" e acusaram os países em desenvolvimento de descumprir entendimentos prévios.

"Sinto como se entrasse num lapso temporal. Isso é uma loucura", disse o enviado especial sobre mudanças climáticas dos EUA, Todd Stern.

Mesmo após superar o impasse sobre quais países devem limitar emissões, as negociação continuam sobre outra questão que tem dividido ricos e pobres: a ajuda que países desenvolvidos pagam aos em desenvolvimento para ajudá-los a conter emissões e absorver os impactos das mudanças climáticas.

Países desenvolvidos, que prometeram em 2009 aumentar a ajuda dos 10 bilhões de dólares acordados entre 2010 e 2012 para 100 bilhões de dólares por ano após 2020, resistem aos pedidos para estabelecer metas para entre 2013 e 2019.

As negociações também propuseram um "Mecanismo de Varsóvia", pelo qual seria fornecido conhecimento técnico para ajudar países em desenvolvimento a lidar com eventos climáticos extremos como ondas de calor, secas e inundações, além de ameaças iminentes como o aumento do nível do mar e a desertificação.

Países em desenvolvimento insistem na criação de um "mecanismo" -para ressaltar uma estrutura separada de outras já existentes- embora países desenvolvidos afirmem que não irão além dos 100 bilhões de dólares ao ano a partir de 2020 já combinados.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below