CENÁRIOS-Contrariados, bancos estatais desaceleram crédito em 2014

segunda-feira, 25 de novembro de 2013 09:17 BRST
 

Por Aluísio Alves e Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - Pela primeira vez em cinco anos, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estão pessimistas. Num momento de preparação para Basileia 3, os dois bancos públicos trabalham com cenário de desaceleração do crédito em 2014 e moderação nos planos de aquisições.

O calendário de Basileia 3 estabelece que, de 2016 a 2019, a exigência do piso de capital subirá gradualmente até 13 por cento, ante os atuais 11 por cento exigidos pelo Banco Central brasileiro.

Uma das principais ferramentas dos bancos para reforçar o patrimônio líquido é a retenção de lucros, mas a pressão do governo federal desde o ano passado para baixar os spreads bancários tem pressionado as margens.

A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) do setor, historicamente superior a 20 por cento, vem caindo no Brasil e a previsão de executivos dos bancos é de continuidade da queda nos próximos anos.

A Caixa tem conseguido manter níveis maiores --no terceiro trimestre, seu ROE foi de 27 por cento. Contudo, a retenção de lucro tem sido menor, dada a necessidade do governo de receber dividendos para ajudar a reforçar o superávit primário.

Em setembro, o índice de Basileia de Caixa era de 17,7 por cento e o do BB estava em 15,2 por cento. Em relação ao piso atual de 11 por cento, ambos poderiam ampliar a oferta de crédito sem se preocupar com as necessidades de capital. O problema é que as condições para reforçar o capital pioraram e os bancos querem ter alguma folga, por isso a saída é pisar no freio.

Principais vetores do governo para ampliar o crédito nos últimos anos e aliviar os efeitos da crise global, BB e Caixa agora acusam o esgotamento da política anticíclica adotada no fim de 2008 e que nunca foi completamente desmontada. De lá para cá, a participação da Caixa no crédito do sistema financeiro nacional quase triplicou, para 18 por cento.

Reservadamente, executivos dos dois bancos atribuem parte da piora de expectativas à deterioração fiscal do governo, somada a comunicação errática sobre o que pretende fazer para corrigi-la, levantado temores crescentes de rebaixamento soberano do país. Em setembro, o governo apresentou um déficit primário inesperado de 9 bilhões de reais, o maior em quase cinco anos.   Continuação...