Redução de ICMS não impede queda no preço do trigo no RS

segunda-feira, 25 de novembro de 2013 16:18 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 25 Nov (Reuters) - A redução de ICMS determinada pelo Rio Grande do Sul para as vendas de trigo a outros Estados não conseguiu conter a queda dos preços do produto na principal região produtora nesta safra, com o mercado local abastecido por uma farta colheita.

Segundo analistas e agentes do mercado, a redução da tarifa, na última terça-feira, não foi suficiente para tornar o trigo gaúcho realmente atrativo para moinhos de outras partes do país.

O governo gaúcho reduziu de 12 para 8 por cento as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços para operações interestaduais do trigo em grão, para saídas destinadas a Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com o objetivo de facilitar o escoamento da safra atual.

Com cerca de 85 por cento da safra gaúcha colhidos, os preços não param de cair e estão no menor patamar desde junho, segundo levantamento do Cepea na região de Passo Fundo.

Por lá, as cotações recuaram 1,6 por cento entre terça-feira (dia da redução do ICMS) e a sexta-feira. O trigo na região está cotado em 635 reais por tonelada.

Para José Honório de Tófoli, presidente do Moinho Anaconda, que tem operações em São Paulo e Paraná, a redução do ICMS ainda não é suficiente. Ele ressalta que em São Paulo, por exemplo, não é cobrado ICMS sobre a venda de farinha. Portanto, o ICMS que os moinhos pagam pelo trigo gaúcho não pode ser neutralizado, através de créditos tributários.

"O ICMS da origem é custo... (A redução) é uma vantagem, mas não abre o mercado do Rio Grande do Sul totalmente, porque sempre tem que ser feita a equação com o frete", disse ele.

O Rio Grande do Sul deve colher 2,65 milhões de toneladas do grão em 2013, alta de 40 por cento ante 2012. Já o Paraná, outro tradicional líder da produção nacional de trigo, teve a safra prejudicada por geadas e deverá colher 1,7 milhão de toneladas, queda de 19 por cento ante o ano passado, segundo dados do governo federal.   Continuação...