Setor de máquinas do Brasil encerrará 2013 com déficit histórico

quarta-feira, 27 de novembro de 2013 19:37 BRST
 

SÃO PAULO, 27 Nov (Reuters) - A indústria brasileira de máquinas e equipamentos deve fechar 2013 com déficit recorde superior a 20 bilhões de dólares em sua balança comercial e queda no faturamento bruto, diante do baixo nível de investimento do país e de importações da China, disse nesta quarta-feira a entidade que representa o setor.

Segundo a Abimaq, o déficit acumulado em 2013 até outubro na balança comercial do setor foi de 17,13 bilhões de dólares, crescimento de 22,3 por cento ante mesmo período de 2012, apesar da desvalorização do real no segundo semestre, o que em tese favorece as exportações.

O faturamento bruto do setor no período teve retração de 5 por cento ante mesmo período de 2012, a 66,96 bilhões de reais.

"Dificilmente os meses de novembro e dezembro vão conseguir reverter a situação", disse o diretor-secretário da Abimaq, Carlos Pastoriza, a jornalistas.

Ele evitou fazer projeções sobre o desempenho do setor em 2014, diante de incertezas sobre possíveis incentivos à indústria, incluindo a prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que oferece juros reduzidos no financiamento para aquisição de bens de capital novos.

"Para termos uma perspectiva otimista, algumas coisas importantes estão com o governo, como a prorrogação do PSI em condições competitivas similares a este ano em 2014", afirmou, acrescentando ainda que "dada a realidade de que o ambiente macroeconômico pouco vai mudar no ano que vem, dependemos do projeto Inovar-Máquinas".

Pastoriza se referiu a projeto em que a Abimaq propõe renovação do parque industrial do país com incentivos à produção nacional.

"Não é reserva de mercado, é ampliar a possibilidade de que boa parte desta demanda seja apropriada pela produção nacional", disse Mario Bernardini, economista da entidade durante apresentação dos números do setor de outubro.

Além da queda no faturamento do setor, Pastoriza afirmou que as margens dos fabricantes seguem pressionadas pela competição com bens importados. "Com o dólar neste nível, a pressão é brutal e não há margem nenhuma", afirmou, defendendo uma cotação do dólar acima de 2,60 reais.   Continuação...