3 de Dezembro de 2013 / às 11:40 / em 4 anos

Economia brasileira encolhe 0,5% no 3o tri, no pior resultado em mais de 4 anos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chega a uma coletiva de imprensa em São Paulo. A economia brasileira encolheu no terceiro trimestre deste ano, primeiro resultado negativo e o pior em mais de quatro anos, afetada sobretudo pela queda dos investimentos e sinalizando que a recuperação da atividade será mais difícil daqui para frente. 30/08/2013Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 3 Dez (Reuters) - A economia brasileira encolheu no terceiro trimestre deste ano, no primeiro resultado negativo em mais de quatro anos, afetada sobretudo pela queda dos investimentos, sinalizando que a recuperação da atividade será mais difícil daqui para frente.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil recuou 0,5 por cento entre julho e setembro quando comparado com o segundo trimestre deste ano, no pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, quando houve retração de 1,6 por cento, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com igual período de 2012, a expansão da atividade no terceiro trimestre foi de 2,2 por cento.

A queda na comparação com o trimestre anterior veio após uma expansão revisada de 1,8 por cento do PIB no segundo trimestre ante o primeiro.

O resultado do PIB veio abaixo da estimativa do mercado que esperava contração de 0,2 por cento nos três meses até setembro sobre o segundo trimestre e avanço 2,5 por cento na comparação anual, de acordo com a mediana das projeções de pesquisa Reuters, que não levou em consideração a nova metodologia do IBGE para o cálculo do PIB.

"O resultado mostra que não conseguimos crescer embora existam diversas medidas para estimular o consumo. O resultado prático é déficit em conta corrente e mais inflação, como consequência de um desequilíbrio macroeconômico de pouca produção para muito consumo", disse o economista sênior do Espírito Santo Investiment Bank Flávio Serrano.

Para ele, o quarto trimestre começou fraco e o PIB deve encerrar o ano com expansão de 2,2 a 2,3 por cento, pior do que sua previsão anterior de 2,5 por cento.

A Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, recuou 2,2 por cento no terceiro trimestre sobre o período imediatamente anterior, no pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2012 (-2,7 por cento) e na primeira queda em um ano, de acordo com os dados do IBGE.

"Como a produção de máquinas e equipamentos aqui no país está crescendo e as importações não estão crescendo, isso quer dizer que boa parte (da queda) tem a ver com o desempenho da construção civil", explicou a economista do IBGE, Rebeca Palis.

"Não temos em níveis trimestrais um detalhamento do que houve, mas o que percebemos é que isso tem a ver com o investimento do governo e das empresas, visto que o construção imobiliária residencial vai bem", acrescentou.

A taxa de investimento subiu para 19,1 por cento do PIB no terceiro trimestre, ante 18,7 por cento no mesmo período do ano anterior.

O governo da presidente Dilma Rousseff assumiu o discurso de que os investimentos serão o principal motor da economia brasileira, tendo como pano de fundo as concessões de infraestrutura e logística já feitas e programadas para o próximo ano.

"Vale destacar que uma das coisas que mais caiu foram os gastos de capital, que é o grande desafio do governo... O desafio é ver os investimentos se recuperarem mais e melhorar a situação das importações" afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, acrescentando que revisará as estimativas de crescimento do PIB em 2014 para entre 2,4 e 2,5 por cento, ante 2,7 por cento.

Ainda pelo lado da demanda, os gastos do governo foram os que mais cresceram, com expansão de 1,2 por cento sobre o trimestre anterior, seguido do consumo das famílias, com expansão de 1 por cento.

Já pelo lado da oferta, o setor Agropecuário teve o pior desempenho do trimestre, com retração de 3,5 por cento no sobre abril a junho, enquanto a Indústria e Serviços ficaram praticamente estáveis, com variação positiva de 0,1 por cento, após terem avançado 2,2 e 0,8 por cento, respectivamente, no segundo trimestre sobre o primeiro.

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ GRÁFICO-PIB e inflação link.reuters.com/rug45s GRÁFICO-Inflação e Selic link.reuters.com/kuw76s

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Os mercados reagiram imediatamente aos números da economia, com queda na Bovespa e nos contratos futuros de juros, que mostram aumento das apostas em um ciclo de aperto monetário mais brando.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a economia brasileira está em trajetória de expansão gradual, que deve se manter nos próximos trimestres, mas reconheceu que o desempenho até agora está abaixo do esperado.

Mas dentro da equipe econômica a avaliação quase consensual é que o próximo ano deve ser ainda mais difícil para a economia brasileira, com a possibilidade de retirada dos estímulos nos Estados Unidos, que vai gerar um período de transição, com ajustes nos mercados. Também vai pesar a situação fiscal brasileira e o fato de 2014 ser um ano eleitoral.

REVISÃO

O IBGE também revisou os resultados do PIB de períodos anteriores por causa da nova metodologia de cálculo. Pelos novos números apresentados, a economia cresceu 1 por cento em 2012, ligeiramente acima do 0,9 por cento divulgado inicialmente.

Os resultados trimestrais anteriores também mudaram. Além de ter revisado o PIB do segundo trimestre de uma alta de 1,5 para de 1,8 por cento sobre janeiro a março, o IBGE informou que a economia no primeiro trimestre deste ano ficou estagnada, ante avanço 0,6 por cento divulgado inicialmente.

O IBGE passou a incorporar no cálculo do PIB sua nova pesquisa mensal de serviços, que começou a ser divulgada este ano e que, por enquanto, mede apenas a receita do setor. Grande parte dos especialistas ainda não tinha conseguido adequar suas projeções com os novos parâmetros.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, Camila Moreira e Asher Levine

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