ANÁLISE-Crédito ao consumo não é mais indutor do crescimento no Brasil

terça-feira, 3 de dezembro de 2013 20:08 BRST
 

Por Natalia Gómez

SÃO PAULO, 3 Dez (Reuters) - A persistente cautela dos bancos privados na concessão de empréstimos tirou o peso do crédito como fator de estímulo ao crescimento econômico, o que ajuda a explicar o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre, divulgado nesta terça-feira.

Além da maior parcimônia dos bancos privados, que procuraram reduzir sua exposição a risco diante do cenário econômico mais desafiador, os tomadores de crédito também ficaram mais retraídos.

"Lá atrás o crédito puxou a atividade econômica. Hoje ele não contribui para o crescimento", afirmou o analista Luis Miguel Santacreu, da Austin Ratings.

O PIB recuou 0,5 por cento entre julho e setembro ante o segundo trimestre, no pior desempenho em quatro anos, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao comentar os dados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, culpou parcialmente a falta de crédito pelo desempenho pífio da economia. Se o crédito estivesse normal, o Brasil estaria com um crescimento maior, avaliou.

A cautela dos bancos privados na oferta de crédito ganhou força a partir do ano passado, com o objetivo de reduzir riscos e controlar a inadimplência.

A taxa de inadimplência nos créditos para pessoas físicas, que chegou a 8,2 por cento no ano passado, estava em 6,8 por cento em outubro-- número ainda considerado alto pelos bancos. Levando em consideração os créditos para pessoas físicas e jurídicas com recursos livres, a indimplência atingiu o pico de 5,8 por cento no ano passado e caiu para 5 por cento em outubro.

Grandes instituições como Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil têm destacado nos últimos trimestres a redução dos empréstimos para setores considerados de maior risco.   Continuação...