Em ano de Copa, UE oferece meta mais duradoura ao Brasil

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013 11:22 BRST
 

Por Robin Emmott e Alonso Soto

BRUXELAS/BRASÍLIA, 4 Dez (Reuters) - Enquanto grande parte do Brasil está de olho na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016, um fato de importância econômica bem mais duradouro borbulha sob a superfície.

Se tudo correr conforme o planejado, o Brasil assinará no ano que vem seu primeiro grande acordo de livre-comércio, após 15 anos de discussões com a Europa. Pactos tão ambiciosos podem trazer riqueza sustentável, ao passo que eventos esportivos tendem a engendrar apenas um prestígio passageiro, às vezes até causando prejuízos.

Mas o sucesso ou o fracasso do Brasil depende de um sócio imprevisível, a Argentina.

A União Europeia e o Mercosul estipularam um prazo até 31 de dezembro para entregarem mutuamente ofertas de abertura de mercados, num pacto que abrangeria 750 milhões de pessoas e um comércio anual de 130 bilhões de dólares.

Um acordo final deve ser alcançado no começo do ano que vem. Mas os negociadores também sabem que, ao longo de mais de uma década, as negociações foram sucessivamente abandonadas e retomadas, e nesse ínterim a Argentina declarou a maior moratória da história.

"Ainda esperamos que poderemos fechar um acordo", disse Adrianus Koetsenruijter, funcionário graduado da UE encarregado de negociações com o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Quanto ao bloco europeu, o acordo permitiria aproveitar as economias promissoras latino-americanas e reforçar seu papel no comércio global.

Mas a questão é se a Argentina, um dos membros mais protecionistas do G20 (grupo de grandes economias desenvolvidas e emergentes), vai se abrir a mais importações da UE, ou seguirá os passos do governo esquerdista da Venezuela, que se excluiu das negociações.   Continuação...