Parecer do Cade vê concentração em fusão de Kroton e Anhanguera

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013 13:00 BRST
 

Por Alberto Alerigi Jr. e Marcela Ayres

SÃO PAULO, 4 Dez (Reuters) - A fusão das empresas de educação Kroton e Anhanguera, que criará uma gigante mundial no setor, representa riscos de concentração em mercados de ensino presencial e à distância no Brasil e pode exigir eventuais restrições, segundo parecer do órgão de defesa da concorrência no país, Cade.

De acordo com o documento, produzido pela Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), há "séria potencialidade de efeitos anticompetitivos em diversos mercados" decorrentes da fusão.

As ações das empresas abriram em forte queda nesta quarta-feira na Bovespa. As da Anhanguera chegaram a recuar quase 8 por cento, enquanto as da Kroton cederam 5,7 por cento na mínima da sessão.

O entendimento da superintendência do Cade agora será levado ao tribunal do órgão em data a ser definida, quando poderão ser impostas condições ao negócio anunciado em abril.

Se aprovada sem restrições, a união entre as companhias implicaria preocupação concorrencial em mais de cinquenta cidades, informou a superintendência do Cade.

"Trata-se de preocupações graves, na medida em que envolve... provável queda significativa da concorrência nesses mercados --seja na forma de aumentos de preços, redução de oferta, queda de qualidade ou outros--, com consequências diretas para um número elevado de alunos em todo o Brasil", segundo o parecer.

Nos mercados em que há concentração, as instituições de ensino competidoras não seriam capazes de oferecer rivalidade suficiente, pois Kroton e Anhanguera possuem vantagens importantes em termos de captação de alunos, escala, catálogo de cursos, capilaridade de instituições e polos de ensino, preços, marketing e outras variáveis, de acordo com o documento do Cade.

Em comunicado, as duas empresas afirmaram que tentarão buscar uma solução negociada para que a união das companhias seja aprovada pelo tribunal do Cade, que não está vinculado ao parecer emitido pela superintendência do órgão.   Continuação...