É "apropriada" continuidade do ritmo de ajuste monetário, mas efeitos têm defasagens--Copom

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 10:48 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - Ao mesmo tempo em que repetiu ser "apropriada" a manutenção do ritmo de ajuste monetário "ora em curso" e que deve-se manter "especialmente vigilante", o Banco Central ponderou que a transmissão dos efeitos da política monetária "ocorre com defasagens", indicação de que pode reduzir seu ritmo de aperto da Selic agora.

Por meio da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, o BC também deu sinais de que a atividade econômica não está se recuperando tanto, ao mesmo tempo em que melhorou seu cenário para a inflação.

Isso significaria que o ciclo de aperto monetário iniciado em abril, e que já levou a Selic a 10 por cento ao ano, pode ser encerrado em janeiro com mais uma elevação de 0,25 ponto percentual, com o BC preocupado com a atividade econômica. Mas, como a ata ainda faz referências importantes sobre o atual ritmo de aperto, não descarta-se mais uma alta de 0,50 ponto.

"Em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, o Comitê pondera que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorre com defasagens", trouxe o documento.

A ata refere-se à reunião da semana passada do Copom, quando elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, mantendo o ritmo de aperto monetário mas, ao alterar o seu comunicado, deixou em aberto seus próximos passos.

"As expectativas de inflação são mais favoráveis do que em outras atas... E as expectativas do mercado estabilizaram em torno de 5,8 por cento e, o que me parece, é que está bom (para o BC)", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem a Selic será elevada em 0,25 ponto no mês que vem e, a partir daí, ficar estável.

Pela ata, o BC também reduziu sua projeção para a inflação em 2013 pelo cenário de referência, mas permanece acima da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Para 2014, a estimativa não mudou, mantendo-se acima da meta. Já para o terceiro trimestre de 2015, a inflação se posiciona acima da meta.

No cenário de referência, o BC usou como parâmetros o dólar a 2,30 reais, sendo que antes via a moeda norte-americana a 2,20 reais.   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasília. Ao mesmo tempo em que repetiu ser "apropriada" a manutenção do ritmo de ajuste monetário "ora em curso" e que deve-se manter "especialmente vigilante", o Banco Central ponderou que a transmissão dos efeitos da política monetária "ocorre com defasagens", por meio da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira. 22/09/2011. REUTERS/Ueslei Marcelino