Tombini anuncia que BC continuará intervindo no câmbio em 2014, com oferta de hedge

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 16:29 BRST
 

SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, anunciou nesta quinta-feira que o programa de intervenção cambial será estendido para além deste ano e reforçou que as "autoridades nacionais" podem agir para mitigar os efeitos da volatilidade internacional.

"Aproveito a oportunidade para informar que, com alguns ajustes, o Banco Central estenderá o programa de oferta de hedge cambial no futuro", afirmou Tombini, durante evento da Febraban, em São Paulo.

Logo após o anúncio de Tombini, o dólar acelerou a queda a mais de 1 por cento ante o real, voltando a se distanciar do patamar de 2,40 reais. Às 16h17, o dólar era cotado a 2,3619 reais na venda, em queda de 1,13 por cento.

O BC tem atuado diariamente no câmbio desde o fim de agosto, oferecendo de segunda a quinta-feira 10 mil contratos de swap cambial tradicional e na sexta-feira vendendo até 1 bilhão de dólares com compromisso de recompra, em um programa previsto para durar até o fim deste ano.

"O BC tem atuado e vem oferecendo proteção cambial aos agentes econômicos e liquidez aos mercados. Em 2014, o Banco Central não sairá de cena neste mercado."

O dólar acumula alta de 19,36 por cento ante o real desde o início de maio, causando preocupação em relação à inflação, que ainda se mantém longe do centro da meta de 4,5 por cento ao ano.

Tombini disse que o BC tem se mantido "especialmente vigilante" na condução de política monetária, e reforçou que inflação elevada gera distorções e aumenta os riscos para a economia.

Em ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, o BC disse ser "apropriada" a manutenção do ritmo de ajuste monetário "ora em curso" e que deve manter-se "especialmente vigilante" em relação à inflação. Contudo, a autoridade monetária ponderou que a transmissão dos efeitos da política monetária "ocorre com defasagens", o que foi entendido por parte do mercado como uma indicação de que o BC pode reduzir seu ritmo de elevação da Selic no futuro próximo.

"A transmissão das ações de política monetária para inflação ocorre com defasagens e envolve um certo grau de incerteza sobre a intensidade com que a inflação irá reagir às ações de política", afirmou Tombini em discurso.   Continuação...