CENÁRIOS-Oferta elevada de imóveis comerciais pressiona aluguéis no Brasil

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013 17:16 BRST
 

Por Juliana Schincariol e Marcela Ayres

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 9 Dez (Reuters) - O preço de aluguéis de escritórios corporativos no Brasil deixou para trás o robusto avanço dos últimos cinco anos, iniciando um ciclo de desaceleração em 2013, diante do excesso de oferta e da queda na ocupação, cenário que deve se estender no ano que vem, afirmam analistas do setor.

Na cidade de São Paulo, maior mercado de prédios corporativos do país, os preços pedidos por aluguéis caíram 8,81 por cento nos primeiros nove meses do ano, ante um avanço médio de 12 por cento ao ano registrado entre 2007 e 2012.

A desaceleração tem como pano de fundo o boom na oferta de edifícios na cidade. Só no quarto trimestre deste ano, o mercado paulistano deve receber o equivalente a 205 mil metros quadrados de área útil nas regiões com grande presença de escritórios --que inclui os bairros Vila Olímpia, as avenidas Faria Lima e Berrini--, perto de 2,3 vezes a média dos últimos quatro anos, estima a consultoria Cushman & Wakefield.

"As empresas já foram obrigadas a renegociar aluguéis desde o começo do ano para tentar não pressionar muito a taxa de vacância", disse o vice-presidente da Cushman, Marcelo da Costa Santos.

Negando uma superoferta de imóveis, mas "apontando uma demanda mais cautelosa em função da situação macroeconômica", o presidente da BR Properties, Claudio Bruni, disse à Reuters que "alguns clientes acabam pedindo e tendo mais vantagens" (nos preços de aluguéis).

Mesmo assim, Bruni afirmou que os preços da companhia foram "razoavelmente bem defendidos" no ano, ficando na casa de 150 reais o metro quadrado para empreendimentos classe A. "Nossa visão é de que o mercado de São Paulo apresentou uma boa dinâmica de procura por espaços de julho para frente, principalmente nas regiões onde atuamos", disse Bruni.

MUDANÇA DE CENÁRIO

Para especialistas do mercado, no entanto, houve uma mudança de cenário, com as empresas deixando de contar com a subida dos preços e passando a lutar para não baixá-los, diante de um horizonte com prédios a mais para inquilinos de menos.   Continuação...