10 de Dezembro de 2013 / às 13:53 / 4 anos atrás

Tombini defende retirada de estímulos mais cedo pelo Fed

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durate audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, em Brasília. Tombini afirmou nesta terça-feira que quanto mais cedo o Federal Reserve decidir retirar os estímulos monetários à economia norte-americana menor será a volatilidade dos mercados e mais suave será o período de transição da economia mundial. 11/12/2012.Ueslei Marcelino

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 10 Dez (Reuters) - O presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini, defendeu nesta terça-feira que o Federal Reserve retire os estímulos à economia dos Estados Unidos o quanto antes, ao avaliar que isso traria menos volatilidade aos mercados.

"Na minha visão, quanto mais cedo se iniciar efetivamente a retirada dos estímulos monetários e quanto mais previsível for a sua intensidade e velocidade, menor será a volatilidade nos mercados financeiros internacionais", afirmou Tombini em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

"Consequentemente, mais suave será o período de transição para a economia mundial", acrescentou.

Os mercados globais estão em compasso de espera pelo início da redução das compras de 85 bilhões de dólares em ativos pelo Fed, banco central norte-americano.

Pesquisa da Reuters mostrou na noite de segunda-feira que cresceram as expectativas de que o corte no programa de estímulos ocorra em dezembro ou janeiro, apesar de a maioria dos economistas consultados ainda acreditar que a redução ficará para março.

A forte injeção de recursos pelo Fed tem garantido liquidez aos mercados globais, mas há receios entre investidores sobre como será o processo de normalização das condições monetárias nos EUA e seus impactos nos fluxos de capitais, sobretudo para economias emergentes.

"O principal desafio dos agentes econômicos públicos, em especial dos bancos centrais, é assegurar que o período de transição seja o mais suave possível para as respectivas economias", disse Tombini.

Segundo ele, o Brasil "está preparado para atravessar esse período sem maiores sobressaltos", por ser credor internacional líquido, contando "com um nível confortável de reservas internacionais".

INTERVENÇÃO E INFLAÇÃO

Tombini reafirmou que o BC manterá o programa de intervenção cambial em 2014 com alguns ajustes, informando que o detalhamento da continuidade do programa será feito no fim da próxima semana.

Na defesa do programa, ele disse que as intervenções diárias não visam fazer com que o câmbio atinja patamares específicos. "O fornecimento de proteção cambial não foi desenhado para atingir qualquer nível específico da taxa de câmbio, mas justamente para evitar excesso de excitação nessa importante variável da economia."

Durante a sessão na CAE, o presidente do BC foi questionado sobre se a inflação estaria se estabilizando em níveis mais altos. Tombini disse que nos últimos 24 meses houve uma depreciação do real frente ao dólar de cerca de 20 por cento e que essa "é uma das razões para a inflação ficar entre 1 a 1,5 ponto acima do centro da meta no período."

Mas admitiu que os preços administrados, que foram represados neste ano, deverão registrar elevação mais forte em 2014. Por ação do governo, houve redução das tarifas de energia, adiamento do reajuste do transporte público e controle sobre os preços dos combustíveis.

"Nossa visão de preços administrados para o próximo ano é de evolução em torno do centro da meta de 4,5 por cento. Seria inflação de administrado maior certamente do que foi este ano."

SUPERÁVIT

Questionado por senadores se a autoridade monetária seria a favor de economia fiscal maior para melhorar o desempenho das contas públicas e ajudar no controle da inflação, Tombini disse que geralmente os bancos centrais são a favor de superávits primários mais elevados.

"O Banco Central sempre, qualquer BC, imagino, com exceção daqueles que estão saindo do processo de recessão dos últimos cinco anos, pode pensar que quanto mais fiscal melhor. É uma pergunta que em condições normais o BC tem esse viés de responder: quanto mais fiscal, melhor".

A avaliação é feita por Tombini em um momento em que o governo é duramente criticado por não cumprir as metas fiscais propostas. Nos 12 meses encerrados em outubro, o superávit primário do setor público consolidado (governo central, governos regionais e estatais) ficou em 1,44 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), distante da meta ajustada de 2,3 por cento do PIB proposto pelo governo.

O presidente do BC também foi confrontado sobre a deterioração das contas externas. O déficit em transações correntes acumula no ano até outubro 67,5 bilhões de dólares, sendo financiado apenas parcialmente pelo Investimento Estrangeiro Direto (IED), que soma 49,144 bilhões de dólares no mesmo período.

"Acompanhamos o dado com cuidado. Três quartos do déficit em conta corrente financiado pelo IED e deixando 20 bilhões de dólares, é algo manejável."

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below