ENTREVISTA-Usina Itamarati vê margem mais justa em 14/15 após alta do diesel

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 18:14 BRST
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 11 Dez (Reuters) - O recente aumento do preço do diesel vai elevar os custos de produção da Usinas Itamarati na próxima safra de cana (2014/15), pressionando ainda mais as margens do grupo sucroalcooleiro que passa por dificuldades financeiras desde o impacto da crise global que afetou o crédito ao setor em 2008.

A situação financeira do grupo, considerado de médio porte, é semelhante à de muitas companhias do setor de cana-de-açúcar, que lida com dificuldades para repassar custos, principalmente por conta do controle do preço da gasolina, que acaba estabelecendo um teto para o etanol.

"Nosso custo aumenta, porque o diesel é o principal item de nossa despesa, e representa hoje 21 por cento do nosso custo... Pode ficar ainda maior (esta fatia)", disse Sylvio Coutinho, presidente da Usinas Itamarati, em entrevista à Reuters.

A usina, que tem sede em Nova Olímpia, sudoeste de Mato Grosso, destina a maior parte de sua produção para os Estados do Centro-Oeste e Norte do país.

A companhia consome por ano 17 milhões de litros de diesel, usado tanto nas máquinas que vão a campo para cultivo e colheita como para o transporte de açúcar e etanol para os principais centros consumidores.

"Mas não é só isso. O custo dos outros insumos e do frete também deve subir por causa da alta", disse o executivo. Isso inclui agroquímicos usados no trato dos canaviais, transporte até produtos destinados à área industrial acrescentou.

Apertada entre dívidas, que restringem sua capacidade de acesso a crédito mais barato, a indústria limitou os investimentos em expansão e renovação de canaviais e nos maquinários ao mínimo necessário e possível com recursos próprios.

A dívida do grupo está em torno de 1,8 bilhão de reais, entre dívidas tributárias, com bancos e fornecedores, contra uma receita bruta anual de cerca de 700 milhões de reais.    Continuação...