Ford vê mercado brasileiro com freio puxado em 2014

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 18:37 BRST
 

SÃO PAULO, 12 Dez (Reuters) - O mercado brasileiro de veículos deve ter expansão modesta de vendas e uma produção mais contida no ano que vem, após um 2013 que por enquanto sinaliza a primeira queda nos emplacamentos em 10 anos, estimou a Ford nesta quinta-feira.

No que pode marcar um novo ciclo para um mercado que desde o início dos anos 2000 cresceu a taxas anuais médias de 10 por cento, 2014 terá vendas no máximo 1 a 2 por cento maiores, disse o vice-presidente para assuntos corporativos para a América do Sul da Ford, Rogelio Golfarb, a jornalistas.

"Acho que é cedo para dizer que o mercado vai cair em 2014. Trabalhamos com taxas de crescimento mais modestas, de 1 a 2 por cento", disse Golfarb, acrescentando que não vê mudanças significativas que sinalizem recuperação da oferta de crédito pelos bancos às vendas do setor no próximo ano.

"A indústria hoje trabalha sem horizonte de planejamento. Houve até agora incertezas sobre o PSI, sobre o airbag e a questão do IPI ainda está em aberto", disse o executivo.

Ele referiu-se à demora do governo para definir os termos de prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento divulgados na véspera junto com comentários do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo não vai mais cobrar obrigatoriedade de inclusão de airbag e freios ABS em 100 por cento da produção a partir de 2014 .

Para 2013, Golfarb evitou cravar que o mercado brasileiro encerrará com queda de vendas, mas afirmou que "existe boa chance do setor não conseguir superar o ano passado".

Ele afirmou que até o dia 10 deste mês, os licenciamentos acumulam queda no ano de 0,5 por cento e que para 2013 empatar com 2012, as vendas deste mês teriam que atingir um recorde para dezembro de 388 mil unidades.

"Mas empatar ou não, não é relevante, o importante é que está claro que há uma tendência de desaceleração. Boa parte do crescimento da classe C da população já aconteceu", disse Golfarb, citando preocupação com nível elevado de estoques exibido pelo setor, de cerca de 420 mil veículos.

A associação de montadoras, Anfavea, costuma divulgar ao final de cada ano projeções para o ano seguinte. Mas no início deste mês o presidente da entidade, Luiz Moan, afirmou que as estimativas serão anunciadas em janeiro. No ocasião, Moan evitou confirmar projeção de 5 por cento de crescimento na produção em 2014, informada por ele em outubro.   Continuação...