Mudanças no PSI devem ter pouco impacto no Finame em 2014, diz BNDES

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 14:55 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As mudanças nas regras do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) anunciadas pelo governo nesta semana devem ter pouco impacto nos desembolsos do BNDES Finame no ano que vem devido ao bom cenário projetado para a agricultura, disse à Reuters o superintendente da área de operações indiretas do banco, Cláudio Bernardo.

"Tudo leva a crer que o ano vai ser bom. Não vai ser esse boom deste ano, mas o cenário para a agricultura ainda é positivo", declarou Bernardo.

Até outubro, o Finame, linha do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aquisição de máquinas e equipamentos, registrou desembolsos de 57,7 bilhões de reais, enquanto no ano passado inteiro foram 43,4 bilhões.

O destaque foram os equipamentos agrícolas, cuja alta foi de 96,7 por cento, para 11,5 bilhões de reais. O setor foi seguido pelo de não transporte, que inclui máquinas-ferramentas, cuja alta foi de 86 por cento, para 17,1 bilhões de reais. O segmento de transportes, que inclui caminhões e ônibus, subiu 57 por cento, para 29,2 bilhões de reais.

"Quem puxou foi o setor industrial e o de maquinário agrícola, que cresceu devido aos ganhos de produtividade da agricultura", disse Bernardo, lembrando que o ano foi de safra recorde.

Em 2013, a expectativa do executivo é que o Finame supere os 70 bilhões de reais, já que a alta demanda continuou em novembro e dezembro. Nesta sexta-feira encerra-se o prazo para propostas de financiamentos dentro das condições atuais, e mais vantajosas, do PSI.

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou prorrogação para 2014 do PSI -- programa criado em 2009, auge da crise econômica mundial, para garantir crédito para investimentos -- mas a extensão foi concedida mediante aumento das taxas de juros.

A taxa do financiamento a máquinas e equipamentos para pequenas e médias empresas passará a 4,5 por cento, ante 3,5 por cento, sendo que para as grandes empresas subirá para 6 por cento. Nessa modalidade, o financiamento continua em 100 por cento para pequenas e médias companhias, mas cai para 80 por cento para grandes empresas. Até então, esse teto era de 90 por cento.

Já o juro para aquisição de caminhões e ônibus subirá para 6 por cento, ante 4 por cento, com os níveis de financiamento baixando para 90 por cento às pequenas e médias empresas e para 80 por cento às grandes, ante 100 e 90 por cento, respectivamente.   Continuação...