13 de Dezembro de 2013 / às 17:28 / 4 anos atrás

Exportações e programa do governo impulsionam preços domésticos do milho

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 13 Dez (Reuters) - Os preços do milho no mercado físico brasileiro se recuperaram nas últimas semanas, impulsionados por exportações aquecidas, câmbio favorável e programas do governo para incentivo ao escoamento.

O indicador Esalq/BM&FBovespa do milho, medido em Campinas (SP) e que serve de referência para negócios em bolsa, acumula alta de mais de 6 por cento desde o início de novembro, com a saca de 60 kg cotada a 26,29 reais na quinta-feira.

Em Sorriso (MT), no coração da principal região produtora de milho do país, os preços dispararam 33 por cento desde o início de novembro. A saca foi negociada a 12,8 reais na quarta-feira, segundo o Cepea.

"O embarque deste ano será recorde, vai superar o ano passado. Isso surpreende a todos. Esperava-se que, com a safra dos EUA, os embarques despencassem", disse o analista da consultoria Safras & Mercado, Paulo Molinari.

Até o momento, o Brasil embarcou 24,4 milhões de toneladas, acima do recorde de 19,77 milhões de toneladas do ano passado, superado já no início de novembro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Outubro e novembro foram os meses com maior volume de exportações do cereal em 2013, com 3,9 milhões de toneladas embarcadas em cada um.

As vendas externas têm sido favorecidas por um real mais desvalorizado frente ao dólar --que torna o milho brasileiro competitivo-- e por uma forte demanda internacional, após uma quebra de safra nos Estados Unidos em 2012/13.

"Tem países que costumam comprar dos EUA que ainda estão finalizando compras com milho do Brasil", disse o analista Aedson Pereira, da Informa Economics FNP.

Nos próximos meses, o mercado internacional deve receber um grande fluxo de milho dos EUA, já que o país acaba de encerrar a colheita de uma safra recorde.

Assim, os embarques do Brasil devem se manter aquecidos até o fim de janeiro, encerramento do ano comercial do milho, apontam os especialistas e dados do mercado.

O line-up de navios mostra que pelo menos 1,5 milhão de toneladas de milho deixará os portos de Santos, Paranaguá e São Francisco do Sul entre a quinta-feira e o final de dezembro.

"E ainda tem janeiro", lembra Molinari.

Outro fator que ajudou a "enxugar" o mercado de Mato Grosso, que terminou de colher em setembro uma segunda safra recorde de milho, foi uma série de leilões de Pepro realizada pelo governo.

O Pepro é uma subvenção que oferece prêmios para as vendas e subsidia o escoamento de milho, garantindo preço mínimo para produtores e movimentando o produto para regiões onde há escassez.

Os leilões de Pepro se concentraram em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e ajudaram a retirar cerca de 8,8 milhões de toneladas do mercado, segundo o governo.

"A forma como foi feito o leilão de Pepro ajudou a escoar excedente elevado que existia no mercado brasileiro de milho", avaliou o analista da Informa FNP.

Os produtores de grãos também estão capitalizados, após as últimas safras, com boa rentabilidade. "Isso permite ele vender quando quer, deu uma enxugada no mercado", disse Molinari.

"Os preços do milho seguem firmes no mercado brasileiro e as negociações envolvendo o cereal ocorrem de forma pontual", disse nesta sexta-feira o Cepea, em sua análise semanal.

PERSPECTIVAS PARA 2014

Apesar do bom momento atual, as perspectivas para 2014 não são tão promissoras para os produtores de milho.

O contrato março do milho em Chicago (o mais negociado atualmente) acumula queda de 28 por cento no ano e está sendo negociado no patamar de 4,3 dólares por bushel.

Os futuros para maio e julho, também na bolsa norte-americana, seguem em patamar semelhante.

Os preços são usados como referência para o fechamento de contratos de venda antecipada entre agricultores e tradings.

"Essa paridade de exportação diz que o produtor não vai obter mais do que 12 a 13 reais (por saca) para julho, agosto, setembro", disse Paulo Molinari, referindo-se a agricultores de Mato Grosso, onde é plantada uma "safrinha", logo após a colheita da soja de verão.

Este valores praticamente não cobrem os custos de produção, dizem os especialistas.

Há produtores em Mato Grosso, por exemplo, que avaliam plantar uma segunda safra de soja, buscando melhor rentabilidade, apesar dos riscos agronômicos desta prática.

Em muito Estados produtores, a área de milho verão foi reduzida, para dar lugar à soja, impactando a primeira safra brasileira em 2013/14, projetada em 32,6 milhões de toneladas pela Conab, uma queda de 6,4 por cento ante 2012/13.

A Safras & Mercado e a Informa têm estimativas semelhantes para o volume de exportações no novo ano comercial, entre 18 milhões e 19 milhões de toneladas.

Edição de Roberto Samora

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