17 de Dezembro de 2013 / às 16:43 / 4 anos atrás

CCR vence leilão da BR-163 no Mato Grosso do Sul com deságio de 52,74%

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 17 Dez (Reuters) - A empresa de concessões em logística CCR venceu nesta terça-feira o leilão de concessão do trecho da rodovia BR-163 no Mato Grosso do Sul com deságio de 52,74 por cento sobre a tarifa de pedágio máxima, na primeira vitória da companhia nos quatro leilões de estradas licitadas pelo governo federal neste ano.

A empresa ofereceu tarifa de 0,04381 real por quilômetro, menos da metade do valor limite de 0,0927 real por quilômetro fixado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Foi o maior deságio oferecido até o momento nos leilões de concessão de rodovias federais.

Os leilões de rodovias são parte do plano do governo Dilma Rousseff de melhorar a infraestrutura logística do país, um dos principais entraves para o crescimento econômico. A iniciativa também inclui a concessão de aeroportos, ferrovias e portos.

O trecho sul-mato-grossense da BR-163 tem como atrativo grande o tráfego de caminhões com produtos agrícolas. Veículos pesados respondem por 60 por cento do total. O trecho de 847,2 quilômetros corta o Matro Grosso do Sul, ligando as divisas com o Mato Grosso e o Paraná. O prazo da concessão é de 30 anos e o investimento previsto é de 5,69 bilhões de reais.

Seis grupos apresentaram ofertas. A segunda melhor proposta foi do consórcio Rota do Futuro, liderado pela Ecorodovias, com deságio de 44,17 por cento.

Segundo o diretor de novos negócios da CCR, Leonardo Vianna, a oferta considerou estudos feitos em 2010 e 2011.

“Temos um histórico da BR-163 de mais de três anos, conseguimos ver a evolução do tráfego. A rodovia tem potencial de crescimento (do tráfego) muito grande”, disse a jornalistas após o certame.

Segundo o executivo, apesar do perfil mais desafiador em termos de investimentos da rodovia, a alavancagem financeira da companhia não será comprometida, e a CCR contará com recursos próprios e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fazer os investimentos necessários.

“A dificuldade de engenharia é zero e tem muito poucas desapropriações”, disse Vianna, garantindo que a relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização) ficará em torno de 2,5 vezes, considerando também o aeroporto de Confins (MG), cuja licitação a CCR venceu no fim de novembro.

A companhia possui um limite de alavancagem de cerca de 3 vezes a dívida pelo Ebitda, disse o executivo, e por isso ainda tem espaço para novos investimentos. A concessionária pretende participar do leilão da BR-040 (DF/GO/MG), no próximo dia 27.

Questionado sobre o interesse em concessões de outros modais de logística, o diretor de novos negócios disse que a empresa está estudando ferrovias, mas avalia que o modelo das concessões ferroviárias é mais voltado para construtoras.

Vianna afirmou também que a CCR tem planos de acelerar o início da cobrança de pedágio, que de acordo com as regras do governo, só podem começar após a conclusão de 10 por cento das obras de duplicação da rodovia. “(O início) está previsto para 18 meses (após assinatura do contrato), mas nosso plano é tentar antecipar”, disse.

Em relatório, a equipe de analistas do banco Bradesco BBI considerou o resultado positivo para a CCR. “A CCR ganhou um ativo de grande importância para a logística da agricultura no Brasil, com um desconto em linha com os leilões recentes”, comentaram, em relatório.

O banco Itaú BBA também considerou o resultado positivo para a CCR, lembrando que esse novo trecho, a empresa eleva a duração média de suas concessões. “A maioria das atuais concessões - representando 50,8 por cento da receita de pedágio - expiram antes de 2022, assim nós apreciamos o fato de que a CCR está estendendo este período ao adicionar novas concessões ao portfólio existente”, disseram analistas liderados por Renata Faber, em nota a clientes.

Às 14h22, a ação da CCR subia 1,53 por cento, a 17,29 reais. No mesmo instante, o Ibovespa caía 0,12 por cento.

Seis grupos apresentaram ofertas. Além da CCR e do consórcio formado pela Ecorodovias, participaram a Triunfo, com oferta de deságio de 2,99 por cento, e a Odebrecht, com deságio de 8,5 por cento. As empresas Invepar e o Grupo Queiroz Galvão completaram a lista de participantes.

A Odebrecht era tida como uma das favoritas na disputa, após ter arrematado a concessão da BR-163 no Mato Grosso, a rodovia da soja.

Nos últimos três leilões de rodovias federais, os deságios foram de 42 por cento para a BR-050, em leilão realizado em setembro, e de 52 por cento nos leilões da BR-163, no trecho de Mato Grosso, e das BRs-060/153/262.

PRÓXIMOS LEILÕES

O ministro dos Transportes, Cesar Borges, se disse satisfeito com o resultado do leilão desta terça-feira, e afirmou esperar deságio elevado na próxima licitação.

“Não tenho dúvida de que a 040 tem grande atratividade e terá deságio elevado”, disse ele, durante coletiva de imprensa.

Questionado sobre o leilão de ferrovias, que já indicou ser o foco para 2014, Borges disse que ainda não havia avaliado as recomendações feitas na véspera pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

“O TCU fez o voto no fim do dia e ainda não fizemos a análise. Vamos avaliar para tomar as decisões”, disse.

Na segunda-feira, o TCU aprovou, com ressalvas, os estudos para o edital do leilão da ferrovia que ligará Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO), condicionando a publicação do edital a ajustes no projeto.

A intenção inicial do governo era publicar o edital da licitação assim que fosse aprovado pelo TCU, para realizar a licitação em fevereiro. O ministro não disse se as ressalvas alteram o cronograma previsto para o leilão.

Edição de Raquel Stenzel

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