18 de Dezembro de 2013 / às 13:02 / 4 anos atrás

IDV prevê crescimento real de 4,7% para varejo em 2014; vê busca por descontos

Clientes olham caixas de som em uma loja em São Paulo. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), entidade que reúne grandes redes varejistas do país, projeta um crescimento real de 4,7 por cento para o setor no próximo ano, ligeira alta ante o avanço de 4,1 por cento esperado para 2013, admitindo que os dias de expansão acelerada ficaram para trás. 07/02/2013 REUTERS/Nacho Doce

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO, 18 Dez (Reuters) - O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), entidade que reúne grandes redes varejistas do país, projeta um crescimento real de 4,7 por cento para o setor no próximo ano, ligeira alta ante o avanço de 4,1 por cento esperado para 2013, admitindo que os dias de expansão acelerada ficaram para trás.

Segundo o economista-chefe da Gouvêa de Souza, Ricardo Meirelles, a Copa do Mundo deve influenciar positivamente as vendas em “alguns pontos-base”, principalmente no segmento de bens duráveis, com a comercialização de itens como TVs de tela plana. A consultoria é responsável pela realização dos estudos do IDV.

Em 2014, a categoria de alimentos também deve performar melhor, puxando a venda de não duráveis para cima diante do arrefecimento da inflação, observou Meirelles.

“A perspectiva é que 2014 apresente a mesma conjuntura do segundo semestre de 2013”, disse ele, afirmando que a bonança vista no setor até o fim de 2012 dará lugar a um ritmo de expansão menor daqui para frente.

O próprio IDV revisou suas estimativas para baixo, após ter previsto que o setor iria crescer 5 por cento em 2013, percentual que já representaria um recuo significativo ante o aumento de 8,4 por cento apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para as vendas de 2012.

“O primeiro semestre foi muito ruim, com inflação de alimentos, redução do índice de confiança do consumidor e efeitos específicos das manifestações em junho”, disse o fundador e diretor-geral da Gouvêa de Souza, Marcos Gouvêa de Souza, ao justificar a diminuição de quase 1 ponto percentual nas estimativas para o crescimento do varejo no ano.

Em relação ao número de lojas, o IDV enxerga aumento de 8,4 por cento na quantidade de estabelecimentos em 2013, e um avanço menor, de 6,9 por cento, em 2014.

As associadas do grupo devem investir cerca de 7,8 bilhões de reais no próximo ano, cifra correspondente a cerca de 4,3 por cento do seu faturamento total.

Entre as empresas que fazem parte da entidade estão redes como Lojas Americanas, Cia Hering, Grupo Pão de Açúcar e Lojas Marisa.

BUSCA POR DESCONTOS

De acordo com um estudo mensal realizado pelo IDV, as vendas reais em novembro subiram 9,8 por cento sobre o mesmo mês do ano passado, melhor resultado mensal do ano.

Meirelles apontou que a escalada foi fortemente impactada pela Black Friday, data de descontos ocorrida na última sexta-feira do mês, com ofertas feitas principalmente na web.

Para dezembro, o chamado Índice Antecedente de Vendas do IDV (IAV-IDV) indica um aumento mais modesto, de 5,5 por cento na comparação anual, o que, na visão de Meirelles, seria reflexo de um movimento de antecipação das vendas durante a Black Friday.

Reforçando a busca dos brasileiros por descontos, o IAV-IDV apontou nova aceleração nas vendas em janeiro e fevereiro, de 7,7 e 9,2 por cento, respectivamente, indicando “que os consumidores estão postergando suas compras de maior valor para o início do próximo ano, momento das grandes promoções e liquidações do varejo”, conforme divulgado em comunicado.

Num cenário em que a pesquisa de preços se popularizou, ajudada pelo uso de aplicativos e por buscas feitas na Internet, os compradores estão buscando cada vez mais por menos, sublinhou Gouvêa de Souza

“A pressão sobre a rentabilidade no varejo fica mais forte. As empresas terão que investir mais em eficiência e produtividade de cada loja para tentar equilibrar esse jogo e atrair os consumidores”, afirmou ele em coletiva de imprensa nesta terça-feira.

ESTRATÉGIAS

Se no ano passado as empresas associadas ao IDV afirmaram que 61 por cento dos investimentos anuais seriam destinados a abertura de novas lojas, nesse ano, o percentual caiu para 58,1 por cento, com áreas como Tecnologia da Informação e logística passando a assumir uma participação maior.

O presidente do IDV, Flávio Rocha, que também comanda a Riachuelo, pontuou que, no varejo têxtil, as companhias passaram a se diferenciar com a oferta de peças de maior apelo fashion para conseguirem aumentar o tíquete médio nas lojas.

Calcada nesse conceito, a unidade da Riachuelo na rua Oscar Freire, reduto do consumo de luxo na capital paulista, teve a melhor estreia de todos os tempos para a empresa, em termos de faturamento, oferecendo as mesmas peças que as outras unidades da rede.

Apesar de seus 1.200 metros quadrados, espaço significativamente menor em relação aos padrões da companhia, a loja aberta no fim de novembro teve um tíquete médio de compras de 180 reais, ante média de 120 reais da Riachuelo, acrescentou Rocha.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below