19 de Dezembro de 2013 / às 21:10 / 4 anos atrás

Moinho brasileiro diz que trading não embarcará trigo argentino em janeiro

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 19 Dez (Reuters) - O Moinho Pacífico, importante processador brasileiro de trigo com operações em São Paulo, recebeu nesta quinta-feira a comunicação de uma trading fornecedora na Argentina de que um carregamento previsto para janeiro não poderá ser embarcado, em meio a restrições de exportações impostas pelo governo argentino.

“Nós recebemos comunicação oficial da trading de que está impossibilitada de performar o contrato de janeiro”, disse à Reuters o presidente do moinho, Lawrence Pih.

“Tecnicamente e oficialmente isso é default.”

Fontes do mercado argentino dizem que o governo ainda não deu autorização para o embarque de trigo da safra 2013/14, uma vez que há temores relacionados ao tamanho da colheita, que está em andamento.

O impasse levanta preocupações sobre a oferta de trigo no Brasil, uma vez que a Argentina é tradicionalmente um importante fornecedor de trigo para o país, que produz em volume insuficiente para o consumo doméstico.

Neste ano, após uma safra frustrante no país vizinho, a Argentina já perdeu o posto de principal fornecedor de trigo ao Brasil.

De janeiro a novembro, o Brasil importou 3 milhões de toneladas de trigo dos Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Agricultura, contra apenas 54 mil toneladas no mesmo período do ano passado.

Os moinhos brasileiros contaram com isenção de tarifa de importação concedida pelo governo para realizar tais compras no Hemisfério Norte.

Com isso, os EUA superaram a Argentina como principal fornecedor ao Brasil em 2013. Os argentinos, por sua vez, exportaram aos brasileiros 2,5 milhões de toneladas de janeiro a novembro, contra 4,8 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.

Em meio a preocupações com a safra, o Ministério da Agricultura da Argentina elevou nesta quinta-feira a estimativa de colheita de trigo para 9 milhões de toneladas nesta temporada, contra 8,5 milhões da previsão anterior. O mercado doméstico demandaria 6,6 milhões.

O saldo exportável precisa ser previamente autorizado pelo governo argentino. Ainda não há clareza se o excedente entre o produzido e o consumido na Argentina poderá ser vendido ao exterior.

“Está tudo no ar”, disse Pih, sobre as compras realizadas na Argentina.

A estimativa de safra do governo da Argentina, no entanto, é bem mais pessimista do que a do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que viu em sua projeção de dezembro uma recuperação na safra argentina 2013/14 para 11 milhões de toneladas, ante 9,5 milhões na temporada passada.

O USDA ainda estima um excedente exportável para a Argentina em 13/14 de 4,5 milhões de toneladas.

BRASIL MONITORA

O governo brasileiro diz que ainda monitora a situação, após o Brasil elevar a colheita em 2013 em mais de 20 por cento na comparação com 2012, para 5,3 milhões de toneladas, com uma safra recorde no Rio Grande do Sul.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, há estoques suficientes no Brasil até abril.

Neste período, o governo vai continuar avaliando a questão para decidir se vai ou não ampliar a cota de importação com isenção de tarifa de 10 por cento para compras fora do Mercosul.

Neste ano, o Brasil isentou uma cota de 3,3 milhões de toneladas para importação sem tarifa do Hemisfério Norte, justamente por conta dos problemas na Argentina.

Apesar de o governo dizer que a oferta de trigo nacional é suficiente por mais alguns meses, os grandes moinhos brasileiro trabalham bastante com o trigo importado, por questões de logística e de qualidade. O cereal nacional é bastante usado em “blends” para a produção de farinha.

O trigo do Rio Grande do Sul, para muitos compradores, não é considerado adequado para a produção de farinha para panificação.

Dessa forma, os entraves na Argentina devem manter forte a procura das empresas brasileiras por trigo dos Estados Unidos.

“O problema é que a gente está correndo para comprar o trigo americano, mas como o line-up (fila de navios) no Golfo (litoral dos EUA) está muito grande, está atrasando”, afirmou o empresário.

Neste momento, as compras no Hemisfério Norte estão sendo feitas sem a isenção de tarifa.

Na quarta-feira, operadores europeus disseram que moinhos brasileiros compraram 50 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos para embarque em janeiro, em função dos temores quanto à oferta da Argentina.

O Brasil deverá consumir 11 milhões de toneladas nesta temporada, sendo que 6,7 milhões precisarão ser importadas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Com reportagem adicional de Roberto Samora

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