BC vê PIB crescendo menos em 2013 e inflação perto de 6%

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013 15:58 BRST
 

Por Patrícia Duarte e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 20 Dez (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vê a economia brasileira crescendo menos, o Banco Central continua calculando a inflação do país em níveis elevados e sem perspectiva de convergir para a meta tão cedo.

Ainda assim, deu sinais de que o atual ciclo de aperto monetário pode estar perto do fim, apesar de deixar a porta aberta sobre a intensidade desses ajustes.

Segundo o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta sexta-feira, o BC manteve sua expectativa para o IPCA deste ano em 5,8 por cento pelo cenário de referência, que já leva em consideração a atual Selic em 10 por cento. Para 2014, houve pequena redução na estimativa, que passou a 5,6 por cento, ante 5,7 por cento, e calcula que em 2015, o indicador crescerá 5,4 por cento.

"Nossas projeções não apontam a inflação convergindo para a meta", disse o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo.

"A convergência pode se tornar mais provável adiante, à medida que a economia comece a responder às ações tomadas", acrescentou ele, referindo-se, entre outros, às elevações da Selic desde abril passado, quando o atual ciclo de aperto teve início.

No entanto, quando questionado se o BC ainda tinha muito trabalho a fazer em termos de política monetária, como defendeu em setembro, o diretor apenas repetiu, por pelo menos cinco vezes, que "o Banco Central está de olho na inflação".

Nos últimos meses, a inflação mostrou alguns sinais de arrefecimento, mas em dezembro, o IPCA-15 --prévia da inflação oficial-- surpreendeu ao acelerar a alta mensal a 0,75 por cento, fechando o ano em 5,85 por cento. A meta do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

O BC, por meio do documento, voltou a repetir que os efeitos da política monetária nos preços ocorre com "defasagens" e que "deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante".   Continuação...