23 de Dezembro de 2013 / às 19:24 / 4 anos atrás

Chuvas devem afetar início da colheita de soja no Brasil--Somar

SÃO PAULO, 23 Dez (Reuters) - Chuvas nesta e na próxima semana deverão afetar o início dos trabalhos de colheita da soja em Mato Grosso, principal Estado produtor da oleaginosa no Brasil e que tradicionalmente começa as atividades.

Além de atrasar o início da colheita da soja no Brasil --que poderá se tornar o maior produtor mundial na temporada 2013/14--, as chuvas poderão trazer perdas para os produtores mato-grossenses já que realizaram a dessecagem do grão nas lavouras, alerta a Somar Meteorologia.

"Muitos dessecaram já pensando na colheita após o Natal... Como vai coincidir com a chuvarada, então pode haver problemas", afirmou nesta segunda-feira o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos.

Alguns produtores com pressa de colher aplicam o chamado dessecante para acelerar o processo. O produto derruba as folhas, fazendo com que a soja amadureça mais rapidamente, pelo menos cerca de dez dias antes.

O problema para as lavouras dessecadas é que a soja pode apodrecer se o produtor não conseguir entrar nas plantações para realizar a colheita em função das chuvas.

A soja dessecada aguenta no pé no máximo de sete a dez dias após a dessecação, dependendo da variedade, disse o especialista.

"A tendência é de que se mantenha assim (chuvoso) não só esta semana, mas na semana que vem também", acrescentou.

De qualquer forma, Santos não prevê perdas significativas em função das chuvas, uma vez que os trabalhos de colheita estão apenas começando no Estado.

A safra de Mato Grosso é estimada em 26 milhões de toneladas, 10 por cento maior do que o ciclo 2012/13, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O volume de Mato Grosso representa quase um terço dos 90 milhões de toneladas esperados para o Brasil na temporada 2013/14, quando o país deverá superar os Estados Unidos na produção de soja.

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Veja previsão climática detalhada:

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Um atraso na colheita em função das chuvas pode também aumentar problemas logísticos num ano de safra recorde e de plantio altamente concentrado em Mato Grosso.

Em relatório nesta segunda-feira, o Rabobank (principal banco do mundo especializado em agronegócios) disse que o gargalo logístico de Mato Grosso poderá ser agravado com a colheita de um volume recorde no Estado, em virtude da eventual falta de caminhões para transportar uma safra cujo plantio foi concentrado.

A colheita, que já ocorre de forma "tímida" em Mato Grosso e em alguns municípios, segundo a Somar, deve se intensificar somente em janeiro.

As primeiras colheitas estão sendo realizadas em sua maioria por produtores que planejaram plantar algodão na segunda safra.

SAFRA VAI BEM

De uma maneira geral, o desenvolvimento da safra de soja no Brasil está satisfatório, contando com tempo favorável, segundo a Somar.

A exceção é o oeste do Paraná, onde já há lavouras prontas para colheitas, mas muitas estão em florescimento, necessitando ainda de chuvas.

A situação é a mesma no sul de Mato Grosso do Sul, mas se ocorrerem perdas por falta de precipitações nessas áreas elas seriam pontuais, segundo a Somar.

No Rio Grande do Sul também falta chuva, mas isso não afeta as lavouras de soja, plantadas mais tarde e que ainda estão em desenvolvimento inicial. O problema é para o milho.

"No Rio Grande do Sul, o milho está com problema, eles plantam cedo. Está bem na fase reprodutiva, que precisa de chuva", afirmou Santos, lembrando que a situação gaúcha é semelhante à da Argentina. "Até porque está muito calor, isso também causa abortamento de grão e pólen."

Por Roberto Samora; Edição de Tiago Pariz

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