Meta de primário em 2014 deve ser inferior a 2% do PIB; no mínimo igual ao resultado de 2013--fontes

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 18:30 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 26 Dez (Reuters) - Num esforço para melhorar a confiança dos agentes econômicos, o governo brasileiro pretende adotar como piso da meta de superávit primário para 2014 o resultado a ser alcançado neste ano e já reconhece que o objetivo ajustado para o próximo ano está defasado, afirmaram à Reuters fontes próximas ao assunto.

A equipe econômica ainda avalia a meta que de fato assumirá no próximo ano, mas a indicação é que o alvo deve ficar abaixo de 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), porém não será pior do que a deste ano. Dentro do Ministério da Fazenda, há projeções de que a economia feita para pagamento de juros do setor público consolidado --governo central (governo federal, Banco Central, Previdência), Estados, municípios e estatais-- ficará em 1,9 por cento do PIB neste ano.

"O ano de 2014 vai ser um ano difícil", comentou uma fonte do Ministério da Fazenda referindo-se à decisão do governo de calcular um novo alvo para a política fiscal.

A meta ajustada de primário para 2014 é de 2,1 por cento do PIB e, nos bastidores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já reconhece que esse parâmetro está defasado, mas que o objetivo será suficiente para manter a relação dívida líquida/PIB em queda.

Dentro da equipe econômica, há cálculos de que cerca de 1,8 por cento do PIB já garantiria esse movimento e também serviria para assegurar um primário neutro em termos inflacionários, como defende o Banco Central, já que seria igual ao do ano anterior.

Para 2014, a meta cheia de primário é de 167,4 bilhões de reais, ou cerca de 3 por cento do PIB para o setor público consolidado, mas o governo já assumiu que deverá abater 58 bilhões de reais com gastos em investimentos e desonerações, gerando uma meta ajustada de 2,1 por cento do PIB.

Mesmo com esses acertos, o governo não convenceu os agentes econômicos de que a nova meta de 2014 poderá ser atingida e, diante das crescentes críticas sobre gastos públicos e manobras para fechar as contas, prepara-se para adotar um discurso fiscal mais crível.

"O superávit primário de 2013 será referência para 2014. Dificilmente a meta do próximo ano será menor do que a que for feita em 2013", afirmou uma fonte próxima da equipe econômica, sob condição de anonimato.   Continuação...