Governo da Itália pressiona banco Monte dei Paschi por aumento de capital

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 13:58 BRST
 

Por Valentina Za e Giuseppe Fonte

MILÃO/ROMA, 30 Dez (Reuters) - O governo italiano pediu que o banco Monte dei Paschi di Siena complete seu planejado aumento de capital de 3 bilhões de euros (4 bilhões de dólares), evitando uma ameaça de aquisição pelo Estado depois de um impasse entre a administração e os acionistas.

Impactado por perdas com derivativos e enfraquecido por anos de crise econômica, o banco mais antigo do mundo precisa de capital novo para pagar parte dos 4,1 bilhões de euros em ajuda que recebeu este ano do governo do ex-primeiro-ministro Mario Monti.

Mas os planos para a emissão de ações foram interrompidos no sábado, quando a fundação que controla o Monti Paschi forçou um adiamento até meados de maio, desafiando o presidente do Conselho de Administração, Alessandro Profumo, que estava pressionando para que a operação fosse concluída em janeiro.

O confronto inédito entre a administração e os acionistas deixou os planos de recuperação de Profumo e o futuro do banco em aberto, com a perspectiva de nacionalização ganhando força caso a captação de recursos não seja concluída antes do final do ano.

Um porta-voz disse que o Tesouro estava trabalhando para garantir o aumento de capital, apesar do atraso. "O objetivo do Tesouro é ver a implementação do aumento de capital, com o banco não sendo nacionalizado e pagando seus bônus", disse ele.

O governo da Itália, que luta para conter a quarta maior dívida pública do mundo, não pode se dar ao luxo de assumir um banco que está em vias de publicar o seu terceiro prejuízo anual consecutivo depois de perder quase 8 bilhões de euros durante 2011 e 2012.

No entanto, não ficou claro o que o Tesouro poderia fazer para superar as diferenças entre a alta administração do banco, que agora pode renunciar, e a fundação bancária local, que controla o Monte dei Paschi e enfrenta dificuldades de caixa.

Ao aprovar as condições para a ajuda estatal, a Comissão Europeia afirmou que, caso o Monte dei Paschi não pagasse 2,5 bilhões de euros até 2014, o Tesouro poderia converter parte dos bônus comprados do banco em ações.