Panamá pressiona Espanha e Itália a resolver impasse sobre obras de expansão do Canal

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 21:11 BRST
 

Por Elida Moreno e Elisabeth O'Leary

CIDADE DO PANAMÁ/MADRI, 2 Jan (Reuters) - O presidente do Panamá disse nesta quinta-feira que irá à Espanha e à Itália pressionar empresas a honrarem contratos de expansão do Canal do Panamá, depois que o consórcio de construtoras encarregado do projeto ameaçou suspender os trabalhos por causa de divergências sobre custos.

Os membros do consórcio -- a Sacyr, da Espanha, a Salini Impregilo, da Itália, a Jan De Nul, da Bélgica, e a Constructora Urbana, do Panamá -- disseram conjuntamente na quarta-feira que o excedente de 1,6 bilhão de dólares no custo do contrato de extensão no valor de 3,2 bilhões de dólares tem de ser bancado pelo Panamá.

O consórcio, conhecido como Grupo Unidos pelo Canal, afirmou que a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) tem 21 dias para responder à sua demanda, durante os quais os trabalhos prosseguiriam, mas disse que o projeto será suspenso se a requisição não for atendida.

Poucas horas depois, a ACP rejeitou a exigência, indicando que poderia encontrar outros grupos para completar a expansão do canal. As ações da Sacyr, que lidera o consórcio, despencaram 9 por cento nesta quinta-feira.

O presidente panamenho, Ricardo Martinelli, acusou as empresas de agirem com "grande irresponsabilidade" e disse que estão pondo em perigo o robusto projeto de construção, que tem sido um grande motor da economia do país centro-americano.

Martinelli, que assumiu o poder em 2009, afirmou esperar que a Itália e a Espanha mantenham o compromisso de apoiar o projeto, expresso pelos líderes desses países em seu primeiro ano no poder.

"Portanto, estou indo à Espanha e à Itália para pedir isso a eles, porque uma empresa não poderia estipular tal quantia de custos excedentes em um projeto que pertence à humanidade", disse ele a repórteres na Cidade do Panamá.

Os governos espanhol e italiano têm uma "responsabilidade moral" para ajudar a resolver a disputa porque suas empresas estão envolvidas na construção, afirmou Martinelli.   Continuação...

 
Os primeiros quatro portões do terceiro conjunto de eclusas do Canal do Panamá são vistos sobre um navio de carga durante a sua chegada em Colon City, no Panamá, em agosto do ano passado. 20/08/2013 REUTERS/Carlos Jasso