Sindicato diz ter alertado Petrobras sobre refinaria meses antes de incêndio

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 19:39 BRST
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 6 Jan (Reuters) - Trabalhadores da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, avisaram a Petrobras em outubro de que a unidade, que teve que ser parcialmente paralisada no sábado depois de um incêndio, estava "perigosamente" acima da capacidade, disseram representes sindicais à Reuters.

Desde agosto, a Petrobras vinha usando a unidade de coqueamento da Reduc para processar cerca de 6 mil metros cúbicos por dia do resíduo, 20 por cento mais do que a capacidade de 5 mil metros cúbicos, disse o sindicato.

"A Petrobras está operando no limite, e nós alertamos eles repetidamente que havia um risco iminente de acidente", disse o presidente do Sindipetro de Duque de Caxias, Simão Zanardi. "Este foi um final de ano muito ruim para nossos trabalhadores na Reduc e em outras refinarias de Petrobras."

Representantes da Petrobras não responderam a pedidos por telefone e e-mail no domingo e nesta segunda-feira para comentar as críticas do sindicato sobre segurança e operações. A empresa também não respondeu como a produção da Reduc foi afetada pelo fogo no sábado, no mais recente de uma série de incidentes na unidade e em outras refinarias.

A unidade de coqueamento da Reduc converte resíduos em diesel, gasolina e gás de cozinha. Outras unidades de refino da Reduc também produzem estes produtos, disse o sindicato.

De acordo com documentos enviados para ministérios e o Ministério Público do Trabalho, datados de 2 de outubro, a sobrecarga na capacidade coloca a refinaria, com capacidade de refino de 242 mil barris por dia, em "grande e iminente risco... de um desastre industrial". O sindicato entregou cópias dos documentos à Reuters nesta segunda-feira.

A tensão no sistema, de acordo com sindicalistas, é o resultado da decisão da Petrobras de operar suas 13 refinarias com 95 ou mais da capacidade. A companhia está levando as unidades ao limite, dizem eles, porque não consegue atender à demanda doméstica por combustíveis, forçando a importação.

O governo brasileiro tem determinado que a estatal venda os combustíveis importados sem repassar aos consumidores o custo total.   Continuação...