Moody's pode cortar perspectiva do Brasil se desempenho econômico no 1º semestre frustrar

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 20:21 BRST
 

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO, 6 Jan (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's poderá rebaixar a perspectiva do rating do Brasil caso a economia e a política fiscal tenham desempenho abaixo das expectativas no primeiro semestre deste ano, disse nesta segunda-feira o analista-sênior da agência Mauro Leos.

Em entrevista à Reuters, Leos disse que se o desempenho no período apontar para crescimento anual de 2 por cento e um superávit primário ao redor de 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), conforme a expectativa da agência, não deverá haver mudanças na atual perspectiva estável do país.

Sendo assim, a agência aguardará a mensagem do novo governo sobre a política econômica e fiscal, após as eleições presidenciais de outubro, para avaliar a nota brasileira.

Mas caso o desempenho econômico dos primeiros seis meses do ano fique aquém do esperado, a agência poderá fazer mudanças na perspectiva do país, pois entende que o crescimento da economia em 2015 do país estaria comprometido.

"Assim que tivermos os dados oficiais sobre a economia e o resultado fiscal dos primeiros seis meses, teremos uma ideia de como vai ser 2014", afirmou Leos.

"Se for como prevemos (o desempenho da atividade), vamos esperar as eleições e a mensagem do próximo governo. Se for mais fraco, vamos analisar para ver se faremos mudanças. Se for mais forte, não vamos fazer nada", acrescentou.

Em setembro de 2013, a Moody's alterou a perspectiva do Brasil de 'positiva' para 'estável', devido ao persistente baixo crescimento que interrompeu a melhora de vários indicadores econômicos e fiscais. Uma importante indicação de deterioração é a relação dívida/PIB, que caminha para 60 por cento, sendo que ​Moody's estima que possa chegar a 62 por cento em 2014.

"A trajetória que a dívida/PIB tomar influenciará fortemente a perspectiva do crédito soberano do Brasil", informou a agência nesta segunda-feira por meio do seu relatório "Análise de Crédito: Governo do Brasil", que é uma atualização anual para os mercados e não constitui ação de rating.   Continuação...