8 de Janeiro de 2014 / às 09:48 / 4 anos atrás

Sem otimismo com Brasil em 2014, Santander Asset aposta no exterior

SÃO PAULO, 7 Jan (Reuters) - A Santander Asset Management, braço de gestão de recursos do Santander Brasil, ampliou a aposta em fundos que investem em ativos no exterior, como alternativa ao cenário pouco promissor a papéis brasileiros para 2014.

A administradora, com cerca de 125 bilhões de reais em ativos sob gestão, acaba de lançar dois produtos para clientes de alta renda na categoria multimercado, cada um permitindo aplicar até 15 e até 20 por cento, respectivamente, em papéis de empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Com isso, a gestora expande a oferta de produtos dessa classe, antes restritos a clientes do segmento private, com maior disponibilidade de recursos para investir.

Nos produtos lançados, o FI Global Multimercado e FI Diversificação Global Van Gogh Multimercado, a aplicação mínima é de 10 mil reais. A expectativa da administradora é de que cada fundo tenha uma captação de 300 milhões de reais até o fim do primeiro trimestre.

"A diversificação faz sentido, considerando a alta de juros no Brasil, que tira a atratividade para a bolsa aqui", disse nesta terça-feira a jornalistas a diretora da Santander Asset, Luciane Ribeiro.

Após cinco elevações consecutivas, o juro básico do país chegou a 10 por cento ao ano em novembro, no maior patamar em quase dois anos. A expectativa da gestora é de que a Selic suba outras duas vezes neste ano, até 10,5 por cento ao ano.

O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, caiu 15,5 por cento em 2013, refletindo o baixo crescimento econômico do país e a volatilidade provocada por incertezas em relação ao rumo da política monetária dos Estados Unidos.

A maior aposta no exterior se dá após o espanhol Santander ter vendido em 2013 metade da Santander Asset para a Warburg Pincus e General Atlantic. As compras de ativos fora do país se darão sobretudo pela aquisição de cotas de fundos de gestores internacionais, explicou Luciane.

Para Ricardo Denadai, economista-chefe da Santander Asset, o mercado acionário brasileiro começa 2014 menos vulnerável a surpresas negativas do que nos últimos anos, tanto no cenário doméstico quanto no internacional.

"O espaço para decepções é menor", disse a jornalistas, mencionando que há um cenário mais previsível para as economias norte-americana, europeia e chinesa neste ano. No caso brasileiro, a combinação de baixo crescimento e inflação alta deve se repetir, disse.

Com isso, a Santander avalia que os fundos de ações com melhor potencial de ganhos em 2014 são os não indexados a índices, dependendo muito mais da habilidade dos gestores de antecipar tendências e perceber quais setores se destacarão na conjuntura macroeconômica.

Nos segmentos mais conservadores, a administradora prevê maiores ingressos nos fundos DI, referenciados na Selic, assim como os fundos de renda fixa, que tiveram performance fraca em 2013 devido à forte alta da taxa básica, e impôs perdas aos papéis ligados à inflação devido à marcação a mercado.

"O grande ajuste já aconteceu; ninguém imagina uma alta muito forte da Selic em 2014", disse Luciane.

Por Aluísio Alves

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