ENTREVISTA-Brasil deve manter grandes compras de trigo dos EUA em 2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014 17:04 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 13 Jan (Reuters) - Os Estados Unidos continuarão sendo os principais fornecedores de trigo ao Brasil em 2014, uma vez que a Argentina novamente não terá volumes suficientes para atender a totalidade da demanda de importação brasileira, afirmou nesta segunda-feira um importante industrial e representante do setor no país.

A afirmação de Lawrence Pih, presidente do moinho Pacífico e conselheiro da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), foi feita após a Argentina anunciar nesta segunda-feira autorização para exportação de um volume de apenas 1,5 milhão de toneladas da safra 2013/14, cuja colheita está em fase final no país vizinho.

O governo brasileiro estima que o Brasil terá que importar em 13/14 (agosto/julho) um volume de 6,5 milhões de toneladas, contra 7 milhões na ano agrícola anterior.

"Novamente os Estados Unidos vão exportar mais do que Argentina (para o Brasil)", afirmou Pih, em entrevista à Reuters, indicando que a situação do ano passado tende a se repetir.

De janeiro a dezembro de 2013, segundo dados oficiais do governo brasileiro, o Brasil importou cerca de 3,5 milhões de toneladas dos EUA (contra 54,5 mil toneladas no mesmo período de 2012), enquanto as importações vindas da Argentina no período somaram 2,5 milhões de toneladas (ante 5 milhões de toneladas em 2012).

Essas importações de trigo dos EUA no ano passado foram feitas em boa parte contando com uma isenção da Tarifa Externa Comum do Mercosul, de 10 por cento, algo que os moinhos brasileiros reivindicarão novamente este ano, disse Pih.

"O setor já está trabalhando para reduzir a TEC, acreditamos que assim que terminar a exportação argentina, imediatamente vamos solicitar para eliminar a TEC, mesmo porque índice de inflação no Brasil foi bastante alto em 2013, e o governo também tem todo interesse em não deixar a farinha e o pão subirem", avaliou.

Ele avalia que há possibilidade de eliminação da TEC a partir de maio, com validade até o início da colheita nacional, em setembro.   Continuação...