16 de Janeiro de 2014 / às 11:44 / em 4 anos

Vendas no varejo brasileiro sobem 0,7% em novembro, acima do esperado

Consumidores olham os preços em um supermercado em São Paulo. As vendas no comércio varejista brasileiro cresceram 0,7 por cento em novembro sobre o mês anterior, marcando o nono mês seguido de ganhos e recuperando um pouco de fôlego num resultado acima do esperado. 10/01/2014 REUTERS/Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 16 Jan (Reuters) - As vendas no comércio varejista brasileiro cresceram 0,7 por cento em novembro sobre o mês anterior, marcando o nono mês seguido de ganhos e recuperando um pouco de fôlego num resultado acima do esperado.

Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a taxa mensal foi a mais alta desde agosto, quando houve avanço de 0,9 por cento. Sobre um ano antes, as vendas varejistas registraram aumento de 7,0 por cento.

“Foi uma expansão generalizada em novembro, que está mais ligada à manutenção de variáveis econômicas como aumento da massa salarial, estabilidade no emprego e inadimplência menor”, disse à Reuters a economista do IBGE Aleciana Gusmão, destacando ainda a antecipação do décimo terceiro naquele mês.

Os números vieram melhores do que o esperado em pesquisa da Reuters, que mostrava projeções de alta mensal de 0,4 por cento em novembro e de 6,0 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Na comparação mensal, sete das oito atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram alta. Os principais destaques foram Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,6 por cento); Tecidos, vestuário e calçados (1,5 por cento) e Móveis e eletrodomésticos (1,5 por cento).

O IBGE destacou ainda a alta de 1,0 por cento do subgrupo Super e hipermercados, dado seu peso na pesquisa. “Apesar dos preços dos alimentos estarem acima da inflação geral, estão desacelerando”, completou a economista do IBGE, explicando que a alimentação em casa tinha alta de 13 por cento em 12 meses no início do ano e desacelerou a 8 por cento em novembro.

O único resultado negativo foi registrado em Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com recuo de 2,1 por cento em relação a outubro, impactado pela alta do dólar segundo o IBGE.

A receita nominal do varejo teve alta de 1,1 por cento em novembro ante outubro e avanço de 13,8 por cento sobre um ano antes.

Já o volume de vendas no varejo ampliado --que inclui veículos e material de construção-- mostrou alta de 1,3 por cento em novembro sobre outubro, com aumento de 2,5 por cento nas vendas de Veículos e motos, partes e peças.

NATAL

Apesar do bom resultado em novembro, o volume de vendas no acumulado de 2013 chegou a 3,6 por cento, e pode encerrar o ano com o pior resultado desde 2005, quando houve crescimento de 4,8 por cento.

“Temos que ver como foram as vendas do Natal de 2013. Há segmentos que reclamaram e outros que comemoraram”, disse Aleciana.

Mas após o resultado de novembro, a LCA elevou sua perspectiva para o varejo em 2013 a 4,4 por cento, ante 4,2 por cento anteriormente.

O consumo vem se beneficiando do mercado de trabalho firme, apesar da fraqueza da economia ao longo de 2013. Isso destaca a forte demanda do consumidor que ajudou a manter a inflação em níveis altos no final de 2013, mas aponta uma perspectiva positiva para a economia no quarto trimestre, segundo analistas.

Em novembro, o IPCA atingiu alta de 0,54 por cento na comparação mensal, para depois acelerar em dezembro a 0,92 por cento e encerrar o ano com avanço acumulado de 5,91 por cento.

Para combater isso, o Banco Central elevou na quarta-feira a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, a 10,50 por cento ao ano, mantendo o ritmo de aperto monetário.

“Esse resultado (do varejo) deve deixar o Banco Central mais confortável com sua decisão de elevar os juros em 0,5 ponto percentual... uma vez que as vendas no varejo parecem estar saudáveis”, avaliou o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman.

O IBGE ainda revisou a alta das vendas em outubro sobre setembro para 0,3 por cento, ante 0,2 por cento divulgado anteriormente. Já o aumento das vendas de outubro sobre outubro de 2012 foi revisado para 5,4 por cento, ante 5,3 por cento.

Veja os resultados dos segmentos no varejo (% do mês sobre o mês anterior):

Atividade Setembro Outubro Novembro

--Comércio Varejista 0,5 0,3 0,7 1.Combustíveis e lubrificantes 1,1 0,9 1,1 2.Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas 0,8 -0,4 1,1 ..Super e Hipermercados 0,8 -0,6 1,0 3.Tecidos, vestuário e calçados 0,0 -0,2 1,5 4.Móveis e eletrodomésticos -0,4 0,1 1,5 5.Artigos farmacêuticos e perfumaria 1,3 0,1 1,6 6.Equipamentos, material escritório e comunicação -1,0 3,0 -2,1 7.Livros, jornais e papelaria 1,4 1,3 0,6 8.Outros artigos de uso doméstico 2,7 1,4 0,7

--Comércio Varejista Ampliado -0,7 2,0 1,3 9.Veículos, motos, peças e partes -5,3 6,4 2,5 19.Material de construção 1,0 1,3 0,5

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro; Edição de Alexandre Caverni

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