Ondas de calor mais longas e intensas pressionarão agricultura da Austrália

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014 13:59 BRST
 

SYDNEY, 16 Jan (Reuters) - A Austrália pode esperar ondas de calor ainda mais longas e intensas do que a que atualmente atinge amplas áreas do país, disse nesta quinta-feira um grupo de pesquisa climática, levantando dúvidas sobre a posição a longo prazo do país como uma potência agrícola.

Uma escaldante onda de calor se estabeleceu sobre o sul e sudeste da Austrália por quase uma semana, com as temperaturas elevadas causando preocupação após jogadores e torcedores assistindo o Aberto de Tênis da Austrália, em Melbourne, passarem mal.

As temperaturas continuaram a subir nesta quinta-feira, com os termômetros em Melbourne caminhando para atingir mais de 44 graus Celsius, dois graus a mais que na quarta-feira, quando o tenista canadense Frank Dancevic sofreu alucinações e desmaiou durante a partida.

O Conselho Climático, uma entidade privada que reúne importantes especialistas, alertou em um relatório que a Austrália apenas começou a sentir os impactos das mudanças climáticas.

Ondas de calor prolongadas podem ameaçar a produção agrícola da Austrália e prejudicar sua intenção de ser o "principal fornecedor de alimentos da Ásia", disseram analistas.

"Vai ser muito mais difícil manter a produção com esses eventos climáticos extremos", disse Paul Deane, economista agrícola sênior do ANZ Bank.

"As temperaturas mais elevadas tendem a gerar mais evaporação de qualquer chuva, e daí a disponibilidade de água para as lavouras é reduzida, o que terá um grande impacto sobre as safras como o trigo e açúcar", acrescentou.

A Austrália é o segundo maior exportador mundial de trigo, e o terceiro maior exportador de açúcar bruto.

(Reportagem de Matt Siegel e Colin Packham)

 
O fazendeiro australiano Ben West indica seu plantio de trigo em sua fazenda em Condobolin. A Austrália pode esperar ondas de calor ainda mais longas e intensas do que a que atualmente atinge amplas áreas do país, disse nesta quinta-feira um grupo de pesquisa climática, levantando dúvidas sobre a posição a longo prazo do país como uma potência agrícola. 05/07/2011 REUTERS/Daniel Munoz