ENTREVISTA-BM&FBovespa vê ano desafiador para volumes no mercado de ações

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 16:28 BRST
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 20 Jan (Reuters) - A BM&FBovespa terá um ano desafiador para manter o volume de negócios no seu principal mercado nos mesmos níveis de 2013, enquanto conclui o bilionário projeto de unificação de clearings e busca a sua internacionalização, disse à Reuters o presidente da bolsa, Edemir Pinto.

A empresa está se preparando para a chegada no Brasil de bolsas concorrentes com o lançamento de novos produtos e um projeto para listagem de empresas de pequeno e médio portes. Com isso, quer diversificar as fontes de receita e crescer, mesmo num persistente cenário de baixa expansão da economia brasileira que, segundo Edemir, tem afugentado investidores.

"Será um de muitos desafios ter volumes que tivemos em 2013 no mercado de ações", disse o executivo. "Se tivermos volume de IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) semelhante ao de 2013, está ótimo", acrescentou.

O mercado à vista da Bovespa teve em 2013 volume financeiro de 1,83 trilhão de reais, crescimento de cerca de 3 por cento em relação ao ano anterior, em parte devido à alta volatilidade do mercado e à estreia de 10 novas companhias no pregão, como a BB Seguridade.

No total, as ofertas públicas de ações no ano passado movimentaram perto de 24 bilhões de reais, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para Edemir, as eleições presidenciais, os feriados locais ligados à Copa do Mundo e a turbulência com a redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos tendem a inibir a entrada de investidores na bolsa local, incluindo estrangeiros, responsáveis por quase 44 por cento das transações na Bovespa em 2013.

O segmento BM&F --onde são negociados contratos de agronegócio, câmbio e juros-- tende a ter volume crescente em 2014, diante de um cenário de maior volatilidade, previu.

Após um boom de 2003 a 2007, a bolsa brasileira acusou os efeitos da crise financeira internacional e do baixo crescimento da economia doméstica, que frustraram investidores e consequentemente desestimularam as empresas a se listarem no pregão.   Continuação...