No limite, Petrobras mantém número elevado de paradas em refinarias

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 13:58 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 22 Jan (Reuters) - A Petrobras terá que manter um número elevado de paradas em suas refinarias no primeiro semestre deste ano, 21 ao todo, em um momento de riscos elevados na atividade devido ao uso de quase toda a capacidade de produção de derivados, na visão de especialistas.

Para evitar maiores importações, que impactam negativamente nos resultados financeiros da empresa, a Petrobras tem usado cerca de 97 por cento de sua capacidade de produção nas refinarias na busca por atender ao consumo interno de combustíveis.

Processando a pleno vapor, a estatal planeja 21 paradas para manutenção na primeira metade do ano, contra 22 registradas no mesmo período do ano passado, segundo programação enviada pela empresa à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Das 21 paradas, segundo planejamento obtido pela Reuters, em 13 delas a Petrobras prevê a paralisação total de uma das unidades de processamento que integram as refinarias, contra 16 paradas do gênero na primeira metade de 2013, informou a Petrobras à autarquia que monitora o abastecimento do mercado brasileiro.

As manutenções são rotineiras e não acarretam parada total de processamento de petróleo nas refinarias, explicou a ANP em nota à Reuters. No entanto, podem levar a empresa a aumentar temporariamente a importação de derivados para atender a crescente demanda interna.

"Você não para toda refinaria em todos os anos. Num ano, para o craqueamento de uma refinaria, no outro ano de outra; num ano para uma destilação... É feita uma composição e um balanceamento para que não se perca a produção de derivados num volume significativo", disse à Reuters o diretor da ANP Waldyr Barroso.

A Petrobras informou recentemente em nota ao mercado que o Fator de Utilização do parque de refino (FUT) foi de 97,4 por cento de janeiro a novembro de 2013.

"Esses dados mostram uma forte utilização das refinarias não porque a Petrobras gostaria que fosse assim, mas é por necessidade financeira. É a única chance para diminuir o gasto com importação", afirmou o especialista do setor de petróleo Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).   Continuação...

 
Um homem passa pelo prédio da Universidade Petrobras no Rio de Janeiro. A Petrobras terá que manter um número elevado de paradas em suas refinarias no primeiro semestre deste ano, 21 ao todo, em um momento de riscos elevados na atividade devido ao uso de quase toda a capacidade de produção de derivados, na visão de especialistas. 09/10/2012 REUTERS/Ricardo Moraes