ANÁLISE-Gargalo no refino torna Brasil dependente de combustíveis de EUA e Índia

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014 15:16 BRST
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 23 Jan (Reuters) - Em outubro de 2007, a então ministra e presidente do Conselho da Petrobras Dilma Rousseff previu com orgulho que novos campos gigantescos de petróleo na costa brasileira levariam o país a uma era de independência energética.

Seis anos depois, ocorre o oposto. O esforço de Dilma para desenvolver a exploração offshore, o seu controle sobre os preços e outras políticas energéticas prejudicaram o setor de refino, tirando dele recursos para a expansão. Como resultado, a Petrobras se vê obrigada a buscar combustível no exterior.

Com refinarias nacionais construídas décadas atrás funcionando a um ritmo, segundo especialistas, perigosamente acelerado para atender a demanda crescente, os carros e caminhões no Brasil são cada vez mais alimentados por gasolina e diesel refinados nos Estados Unidos e na Índia.

As importações brasileiras provavelmente bateram recordes no ano passado, correspondendo a cerca de um quinto da demanda nacional.

A situação ainda deve piorar antes de melhorar. As novas refinarias vão somente começar a diminuir as importações em 2015, e as políticas do governo de controle de preços e as regras duras de manutenção indicam que não haverá no Brasil um acréscimo significativo na capacidade de refino por pelo menos mais três anos, provavelmente mais.

Todas as quatro refinarias planejadas pela Petrobras estão anos atrasadas ou paralisadas.

"O Brasil colocou um foco excessivo na descoberta de petróleo offshore e negligenciou o refino", disse o analista para a América Latina do grupo Eurasia, em Washington, João Castro Neves. "O Brasil está agora dependente das importações de um jeito que não era há anos."

Não falta petróleo no Brasil. A Petrobras encontrou reservas gigantescas no litoral sul do Rio de Janeiro, e depois de dois anos de estagnação, a produção deve aumentar em 2014.   Continuação...