Peso argentino fecha em queda de 11%, maior recuo diário desde 2002

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014 16:51 BRST
 

BUENOS AIRES, 23 Jan (Reuters) - A taxa de câmbio da Argentina sofreu nesta quinta-feira o maior declínio diário desde a devastadora crise financeira de 2002, ampliando as perdas do dia anterior, na medida em que o banco central desistiu da batalha contra a desvalorização do peso.

Após perder mais de 30 por cento de suas reservas no ano passado, o banco central argentino desistiu nesta semana de sua política de amparar o peso realizando intervenções no mercado de câmbio.

A nova política abriu caminho para as perdas desta quinta e elevaram o temor com a taxa de inflação do país, uma das maiores do mundo.

O peso argentino no mercado interbancário fechou em queda de 11 por cento, a 8 por dólar, após ter recuado 3 por cento na quarta-feira.

No mercado paralelo, o dólar era negociado a cerca de 13 pesos.

"Ontem o banco central não comprou nem vendeu dólares, e isso mostra qual é a posição dele com relação à taxa de câmbio", afirmou o chefe de gabinete Jorge Capitanich a repórteres nesta quinta-feira.

As reservas do banco central são de 29,44 bilhões de dólares.

Nesta quinta-feira, o BC argentino interveio no mercado com operações que somaram apenas 80 milhões de dólares, de acordo com operadores do mercado de câmbio.

Por conta dos controle de capitais, o mercado paralelo é a única maneira pela qual os argentinos conseguem comprar dólares diante da queda na confiança na terceira maior economia da América Latina e da elevada inflação. Devido à história do país com repetidas crises financeiras, os argentinos preferem poupar em dólares.

De acordo com analistas privados, os preços ao consumidor subiram mais de 25 por cento em 2013, apesar de dados oficiais desacreditados apontarem para metade desse percentual.

(Reportagem de Walter Bianchi)