Queda da lira para mínima recorde amplia dificuldades para premiê turco

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 16:47 BRST
 

Por Nevzat Devranoglu e Nick Tattersall

ISTAMBUL, 24 Jan (Reuters) - A lira da Turquia recuou para novas mínimas nesta sexta-feira e investidores questionam a capacidade de o banco central do país conter a desvalorização da moeda diante de um escândalo de corrupção que desafia o poder do primeiro-ministro, Tayyip Erdogan.

A lira caiu abaixo de 2,33 por dólar, o que significa que os turcos precisam mais de o dobro de liras para comprar a mesma quantidade de dólares do que há seis anos quando a moeda atingiu seu valor máximo, uma desvalorização custosa para um país que depende bastante de importações.

A riqueza nominal da Turquia triplicou desde que Erdogan chegou ao poder em 2002, um desempenho recorde que formou a base para as vitórias por grande margem do seu partido, o AK, em três eleições consecutivas.

Qualquer ameaça a esse avanço pode levá-lo a perder as eleições locais e presidenciais deste ano, manchando ainda mais a sua reputação já ameaçada por uma investigação de corrupção que levou à demissão de três ministros e a detenção diversos aliados.

Ele diz que a investigação e as acusações foram elaboradas pelo clérigo islâmico Fethullah Gulen, que mora dos Estados Unidos e que tem forte influência sobre a polícia e o judiciário. O primeiro-ministro suspeita Gulen quer derrubá-lo, o que Gulen nega.

Erdogan também classificou a investigação como um complô apoiado por estrangeiros para minar a posição da Turquia, e maquinado em parte por especulares em taxa de juros empenhados em lucrar com taxas mais altas em detrimento do crescimento do país.

Sua oposição veemente ao aumento dos juros deixou o banco central do país paralisado, queimando suas reservas cambiais em sua luta para defender a lira e tentando reduzir os custos dos empréstimos --uma batalha que parece estar perdendo.

Banqueiros disseram que a autoridade monetária do país vendeu 3 bilhões de dólares na quinta-feira na primeira intervenção direta no mercado cambial em dois anos, mas o movimento não foi capaz de acalmar os mercados.   Continuação...