Após disparar com aversão ao risco, dólar fecha em queda e abaixo de R$2,40

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 20:08 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) - O dólar fechou em leve queda nesta sexta-feira, após bater 2,43 reais na máxima do dia por conta de um movimento generalizado de venda de ativos de países emergentes, em meio à crise na Argentina e Turquia e da perspectiva de redução adicional dos estímulos monetários nos Estados Unidos.

Mas a moeda norte-americana perdeu força ao longo do dia, com investidores reavaliando os riscos de contágio da crise argentina e os fundamentos da economia brasileira.

O dólar fechou em queda de 0,19 por cento, a 2,3980 reais na venda. Na máxima do dia, chegou a subir cerca de 1,3 por cento, a 2,4335 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,8 bilhão de dólares.

"O dólar havia subido demais. Agora está voltando, com o pessoal reavaliando um pouco os fundamentos", afirmou o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

Na véspera, a divisa norte-americana fechou com alta superior a 1 por cento, voltando à casa de 2,40 reais, após a Pimco --maior gestora de bônus do mundo-- fazer duras críticas à política econômica do Brasil. Foi o maior nível de fechamento da moeda norte-americana desde 22 de agosto, quando o dólar era negociado na casa dos 2,43 reais, levando o BC a anunciar o programa de intervenções diárias .

Os mercados cambiais nos países emergentes começaram o dia com forte aversão ao risco, levando o dólar a subir fortemente ante as moedas locais. A preocupação tinha origem, entre outros motivos, nas incertezas diante do processo de retirada do estímulo econômico dos Estados Unidos, que deve reduzir ainda mais a oferta de liquidez global.

O cenário de ansiedade foi corroborado pelo mau desempenho das contas externas do Brasil. O déficit em transações correntes do Brasil em 2013 foi recorde e não foi financiado pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) pela primeira vez desde 2001.

No entanto, no final da manhã, o avanço do dólar ante algumas moedas emergentes perdeu força e passou a se concentrar nos mercados considerados mais vulneráveis, como Turquia e Argentina.   Continuação...