ENTREVISTA-Boeing está otimista com Brasil mesmo após perder negócio de caças

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 18:52 BRST
 

Por Brian Winter

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) - A Boeing disse que a falha em ganhar um negócio de 4 bilhões de dólares em encomendas de aviões de caça do governo brasileiro foi uma chance perdida que levará a empresa a redimensionar seus investimentos no país, embora ainda veja excelentes oportunidades em carga, defesa e biocombustíveis.

Até o final de junho, a empresa aeroespacial sediada em Chicago era a clara favorita a ganhar um contrato para fornecer pelo menos 36 aviões para a Força Aérea Brasileira, em um dos grandes acordos de defesa do mundo.

"É uma oportunidade perdida para a relação Brasil-Estados Unidos e para a Boeing", lamentou Donna Hrinak, presidente da Boeing no Brasil, em entrevista à Reuters.

A Boeing perdeu o contrato depois da presidente Dilma Rousseff se enfurecer com revelações de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) havia espionado suas comunicações.

Em dezembro, Dilma revelou a escolha da sueca Saab AB para fornecer os jatos, num movimento que vários de seus assessores descreveram como afronta direta a Washington.

Hrinak disse que "não sabia ao certo" porque Rousseff tomara a decisão, porque ainda não havia discutido a questão longamente com o governo.

Ainda assim, ela admitiu que as revelações do ex-terceirizado da NSA Edward Snowden "não ajudaram em nada porque certamente lançam uma sombra sobre as relações Brasil-Estados Unidos".

Hrinak disse que a decisão de Dilma vai afetar os planos da Boeing para a construção de centros de manutenção locais e cadeias de suprimentos que seriam erguidos casso a companhia tivesse vendido seus caças F/A-18 Super Hornet ao país.   Continuação...