Japão registra déficit comercial recorde em 2013

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 09:55 BRST
 

Por Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO, 27 Jan (Reuters) - O déficit comercial do Japão aumentou fortemente para um nível recorde em 2013, à medida que os custos de importação superaram as receitas de exportação devido ao iene mais fraco e às contas mais altas de combustível, e o terceiro déficit anual seguido é um lembrete do desafio enfrentado pelo primeiro-ministro do país, Shinzo Abe.

A série recorde de déficits anuais por uma nação que durante décadas acumulou robustos superávits comerciais levantou dúvidas quanto ao modo que o Japão pode financiar e conter sua dívida pública de mais de 10 trilhões de dólares, ou mais do que o dobro do tamanho da economia.

Dados do Ministério das Finanças mostraram nesta segunda-feira que as exportações cresceram 9,5 por cento em 2013, o primeiro avanço em três anos, mas os volumes de exportações tiveram queda de 1,5 por cento, a terceira redução consecutiva.

O déficit anual do Japão ficou em nível recorde de 11,47 trilhões de ienes (112 bilhões de dólares), cerca de dois terços maior do que a leitura de 6,94 trilhões ienes em 2012. Foi o terceiro déficit anual seguido, a série mais longa no conjunto de dados que remetem a 1979.

Analistas dizem que os déficits comerciais mensais podem diminuir nos próximos meses, à medida que a recuperação global impulsiona a demanda por exportações e o aumento nos gastos do consumidor perde fôlego após a alta no imposto sobre vendas em abril.

Dados do ministério também mostraram que as exportações tiveram crescimento de 15,3 por cento em dezembro ante o ano anterior, lideradas pelas exportações de automóveis aos Estados Unidos, um importante mercado. Embora tenha ficado abaixo da mediana das projeções de economistas por crescimento de 17,8 por cento, foi o décimo mês seguido de avanço.

As importações aumentaram em 24,7 por cento em dezembro ante o ano anterior, contra expectativa de crescimento de 26,1 por cento. Os custos de importação têm aumentado devido à desvalorização do iene e às maiores importações de combustível depois que o Japão fechou as usinas nucleares, após o desastre de Fukushima em 2011.