BC da Turquia, sob pressão de alta de juros, promete ação decisiva

terça-feira, 28 de janeiro de 2014 10:03 BRST
 

Por Nevzat Devranoglu

ANCARA, 28 Jan (Reuters) - O presidente do banco central da Turquia, Erdem Basci, elevou as expectativas de aumento emergencial de taxa de juros nesta terça-feira, negando que é refém das pressões políticas e prometendo ação decisiva para combater o avanço da inflação e a desvalorização da lira.

Basci disse que o banco não irá hesitar em apertar a política monetária de "modo duradouro" caso seja necessário e afirmou a independência da instituição em meio à preocupação de investidores de que tenha evitado as altas nas taxas de juros sob pressão do governo.

Ele também descartou qualquer imposição de controles de capital, dizendo que tais medidas "não estão em nosso dicionário".

O primeiro-ministro Tayyip Erdogan, ansioso para manter o crescimento econômico antes do ciclo de eleições que começa dentro de dois meses, vem sendo um oponente feroz da alta dos custos de empréstimo que às vezes é necessária para reforçar as moedas, opondo-se ao que ele descreve como um "lobby da taxa de juros" de especuladores que buscam sufocar o crescimento e minar a economia.

Isso deixou o banco central lutando para conter a acentuada queda da lira. A confiança do investidor tem sido prejudicada pelo escândalo de corrupção que agitou o governo, por temores acerca de uma luta pelo poder e o impacto global da redução no estímulo monetário dos EUA.

"Na Turquia, os políticos publicamente criticam ou elogiam as decisões do banco central... Não acho que isso ameace a independência do banco", disse Basci em entrevista à imprensa para anunciar o relatório de inflação trimestral do BC.

"Ninguém deve ter nenhuma dúvida de que o banco central usará todos os instrumentos disponíveis. O banco não irá hesitar em tomar medidas para fazer um aperto duradouro na política monetária se considerar necessário', acrescentou.

O banco aumentou fortemente sua projeção de inflação para o fim do ano para 6,6 por cento, intensificando as expectativas do mercado de que a instituição elevará as taxas de juros em sua primeira reunião extraordinária de política monetária desde agosto de 2011, no auge da crise da zona do euro.   Continuação...