Paraíso fiscal recebe mais investimentos em 2013 do que Brasil e Índia juntos

terça-feira, 28 de janeiro de 2014 19:10 BRST
 

Por Tom Miles

GENEBRA, Suíça, 28 Jan (Reuters) - As Ilhas Virgens Britânicas receberam mais investimentos estrangeiros diretos no ano passado do que duas grandes economias emergentes juntas, a Índia e o Brasil, de acordo com um levantamento da Organização das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira.

O arquipélago caribenho, um paraíso fiscal que, não fosse por isso, dependeria do turismo, saltou na tabela dos principais destinos de investimentos nos últimos cinco anos. Recebeu 92 bilhões de dólares em divisas estrangeiras em 2013, segundo estimativas preliminares compiladas pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Esse foi o quarto maior total de investimentos recebido em todo o mundo. A maior economia do mundo, os Estados Unidos, atraiu 159 bilhões de dólares. A China, a segunda maior, captou 127 bilhões de dólares, enquanto a Rússia, grande produtora de petróleo e metais, recebeu apenas 2 bilhões de dólares a mais do que as Ilhas Virgens Britânicas.

Brasil e Índia ficaram mais abaixo no ranking, com 63 bilhões e 28 bilhões de dólares, respectivamente. Para a maioria dos países, o investimento estrangeiro direto consiste principalmente de gastos de empresas em aquisições corporativas e em novos projetos no exterior.

Quanto às Ilhas Virgens Britânicas, a maior parte do dinheiro é rapidamente transferida para dentro e fora do país ou movimentada pelas contas financeiras de grandes firmas, que a Unctad define como "corporações transnacionais" ou TNCs.

"Nas Ilhas Virgens Britânicas há algumas empresas financeiras que desempenham o papel de Tesouraria das TNCs, como uma espécie de unidade de lucros ou centro de lucros", disse o diretor da divisão de investimento e empreendimento da Unctad, James Zhan.

"As receitas das TNCs fluem para lá basicamente de suas afiliadas estrangeiras em países com elevadas taxas tributárias", disse ele à imprensa.

O fluxo anual de investimento para as ilhas aumentou 40 por cento em relação a um ano atrás e segue uma tendência que decolou depois que a crise econômica se impôs e os governos começaram a reprimir a evasão fiscal.   Continuação...