BC da Turquia eleva drasticamente taxas de juros para conter queda da lira

terça-feira, 28 de janeiro de 2014 22:07 BRST
 

ISTANBUL, 28 Jan (Reuters) - O banco central da Turquia aumentou drasticamente todas as suas principais taxas de juros na quarta-feira (horário local), curvando-se à pressão do mercado para conter a queda da moeda nacional, a lira, e ignorando a oposição do primeiro-ministro do país, Tayyip Erdogan.

Em reunião de política monetária de emergência, o banco elevou sua taxa de juros overnight a 12 por cento, ante 7,75 por cento, e a taxa das operações compromissadas de uma semana a 10 por cento, ante 4,5 por cento -- os aumentos foram todos maiores do que os economistas previam.

Pesquisa Reuters com 31 economistas, divulgada na segunda-feira, mostrou consenso de alta de 2,25 por cento na taxa de juros overnight.

A ousadia da ação do BC surpreendeu investidores, acendendo esperanças de que possa interromper a onda vendedora de ativos de mercados emergentes e reavivar o apetite por risco no mundo desenvolvido.

Logo após o anúncio da elevação dos juros, a lira turca subiu para 2,18 por dólar, ante 2,25 liras por dólar na noite de terça-feira, depois de ter atingido a mínima de 2,39 por dólar na segunda-feira.

Erdogan, interessado ​​em manter o crescimento econômico antes das eleições daqui a dois meses, tem sido um oponente vociferante de taxas de juros mais elevadas, protestando contra o que descreve como um "lobby da taxa de juros" de especuladores que procuram sufocar o crescimento e prejudicar a economia turca.

"Eu gostaria que vocês soubessem que, como sempre, eu sou contra a elevação das taxas de juros hoje", disse Erdogan a jornalistas na noite desta terça-feira, horas antes da reunião de emergência do banco central.

"Mas é claro que eu não tenho o poder de interferir no banco central... a responsabilidade pertence a eles", afirmou o primeiro-ministro.

O banco central vinha se esforçado para conter a queda acentuada da lira, com a confiança dos investidores danificada por um escândalo de corrupção que abalou o governo e o impacto global de um corte no estímulo monetário nos EUA.   Continuação...