BC da África do Sul segue emergentes e eleva taxa de juros para 5,5%

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014 12:17 BRST
 

Por Xola Potelwa

PRETÓRIA, 29 Jan (Reuters) - O banco central da África do Sul elevou a taxa de juros nesta quinta-feira, em consonância com tentativas da Turquia e de outras economias emergentes de sustentar suas moedas.

"A expectativa é que as pressões da taxa cambial se intensifiquem conforme os mercados se ajustam ao novo padrão global dos fluxos de capital", disse o presidente do BC sul-africano, Gill Marcus, em entrevista à imprensa.

"A principal responsabilidade do banco é manter a inflação sob controle e garantir que as expectativas de inflação permaneçam bem ancoradas."

Marcus disse que a decisão não foi influenciada pela forte elevação dos juros promovida pela Turquia e não tem o objetivo de afetar a taxa de câmbio.

A decisão ocorre, no entanto, no momento em que o rand caminha a menor cotação em 5 anos durante um movimento de vendas nos mercados emergentes que começou na semana passada.

Os mercados financeiros, entretanto, parecem ter considerado que o aumento dos juros foi insuficiente e o rand estava em queda de mais de 2 por cento após a decisão, a 11,2500 rands por dólar, aproximando-se da mínima de cinco anos atingida na semana passada.

O BC sul-africano elevou a taxa sob a qual realiza empréstimos para bancos comerciais para 5,5 por cento, ante mínima de 5,0 por cento, a primeira alta em quase seis anos.

A decisão da Turquia elevar os juros colocou pressão sobre o BC da África do Sul para que apertasse a política uma vez que os ativos de mercados emergentes estão sendo afetados por preocupações em torno da redução do estímulo dos Estados Unidos, grandes déficits de conta corrente --um problema para a África do Sul-- e, no caso da Turquia, preocupações políticas domésticas.

Entretanto, a alta levanta o risco de afetar a já lenta expansão econômica e causar tensões com o partido Congresso Nacional Africano e o presidente Jacob Zuma, que enfrenta uma dura eleição em três meses devido aos problemas econômicos, em meio a um desemprego crônico e agitações sociais e trabalhistas.

O crescimento desacelerou para 0,7 por cento no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, o ritmo mais lento desde uma recessão em 2009.