30 de Janeiro de 2014 / às 09:19 / 4 anos atrás

Bradesco lucra mais no 4º tri, mas não agrada e ações caem

O presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, fala em entrevista à Reuters em São Paulo. O Bradesco, segundo maior banco privado brasileiro, encerrou o último trimestre de 2013 com alta de 6,4 por cento no lucro líquido na comparação anual, num desempenho apoiado por queda na inadimplência e redução em despesas com calotes. 8/05/2009Mario Miranda

Por Aluisio Pereira e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco teve lucro recorde no quarto trimestre de 2013, refletindo redução de inadimplência e das despesas com calotes, mas o resultado não agradou e derrubava as ações nesta quinta-feira.

O segundo maior banco privado brasileiro anunciou lucro líquido 6,4 por cento maior na comparação anual, a 3,079 bilhões de reais. Em bases recorrentes, o lucro do período foi de 3,199 bilhões de reais, expansão anual de 9,6 por cento, quase em linha com a previsão média de oito analistas consultados pela Reuters, de 3,18 bilhões de reais.

Em teleconferência com jornalistas, o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, ressaltou a melhora na qualidade da carteira do banco, o que deve se refletir nos resultados dos próximos trimestres. "Estamos nos consolidando num patamar menor", disse.

Mas essa avaliação não encontrava eco no mercado. As ações do banco na bolsa paulista tinha oscilação negativa de 0,58 por cento às 15h31, a 25,73 reais. No mesmo instante, o Ibovespa subia 0,11 por cento.

CRÉDITO

No fim de 2013, o estoque de crédito do banco com sede em Osasco (SP) era de 427,3 bilhões de reais, avanço de 3,6 por cento na base sequencial e de 10,8 por cento em 12 meses.

O banco anunciou que espera evolução de 10 a 14 por cento da carteira total em 2014. No ano passado, o banco se viu forçado a reduzir sua previsão para o ano do intervalo de 13 a 17 por cento para 11 a 15 por cento e, mesmo assim, não atingiu a projeção.

Em 2013, os destaques na pessoa física foram financiamento imobiliário, com alta anual de 35 por cento; consignado, com avanço de 29 por cento, e crédito rural, subindo 21 por cento. Os empréstimos para aquisição de veículos continuaram em queda, retraindo 3,5 por cento no trimestre e 12,4 por cento no ano.

Para empresas, os produtos que apresentaram maior crescimento nos últimos doze meses foram financiamento à exportação e crédito imobiliário.

Se o crescimento do crédito não foi o ponto alto do balanço, o índice de inadimplência, medido pelas operações vencidas com mais de 90 dias, foi destaque ao registrar 3,5 por cento no quarto trimestre, ante 4,1 por cento no mesmo período de um ano antes e 3,6 por cento entre julho e setembro de 2013.

Como executivos do banco previram "manutenção ou queda" desse índice nos próximos trimestres, as despesas com provisões para perdas com calotes (PDD) caíram 7,8 por cento no trimestre, na comparação anual, para 2,961 bilhões de reais. Já na base sequencial houve alta de 2,77 por cento nesta linha.

As receitas do Bradesco com serviços cresceram 11,8 por cento, enquanto as despesas administrativas e com pessoal subiram 6 por cento no intervalo.

Também nesta quinta-feira, o Bradesco divulgou que sua diretoria propôs pagar dividendos de 853,86 milhões de reais relativos ao resultado de 2013, em complemento a valores já distribuídos aos acionistas. Se aprovada, a proposta elevará os juros e dividendos distribuídos aos acionistas para 4,078 bilhões de reais.

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