Com pior primário em 4 anos, Brasil não cumpre meta e aumenta desafios

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 13:23 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 31 Jan (Reuters) - O setor público brasileiro fechou 2013 com o pior superávit primário em quatro anos, não cumprindo a meta ajustada para o período e deixando ainda mais evidente a dificuldade que o governo terá para recuperar a credibilidade das contas públicas junto a agentes econômicos neste ano.

Alguns especialistas acreditam até mesmo que em 2014 o governo terá de estender o contingenciamento para investimentos menos prioritários.

Em dezembro, o setor público consolidado --governo central, Estados, municípios e estatais-- teve superávit primário de 10,407 bilhões de reais, fechando 2013 com resultado positivo de 91,306 bilhões de reais, o pior desde 2009 (64,769 bilhões de reais), informou o Banco Central nesta sexta-feira.

O resultado em dezembro ficou abaixo das estimativas de analistas consultados pela Reuters, que previam saldo positivo no mês de 11,90 bilhões de reais.

No ano passado, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,90 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), pior resultado histórico.

A meta do primário para o setor público consolidado em 2013 foi ajustada para 110,9 bilhões de reais, ou 2,3 por cento do PIB, levando em consideração o abatimento de 45 bilhões de reais previstos em desonerações e investimentos. Pela lei, esse abatimento poderia chegar a até 65 bilhões de reais no ano passado.

O governo tem sido alvo frequente de críticas do mercado pela condução da sua política fiscal, com gastos elevados e pouca transparência nas contas. Nos últimos anos, recorreu a algumas manobras contábeis para melhorar os números e, em 2013, contou com receitas extraordinárias em valor recorde.

Esse cenário tornou real o risco de rebaixamento do rating brasileiro pelas principais agências de classificação de risco e levou a própria presidente Dilma Rousseff vir a publico dizer que, para 2014, a política fiscal será "consistente com essa tendência de redução do endividamento público".   Continuação...

 
Vista da sede do Banco Central, em Brasília. O setor público brasileiro não cumpriu a meta ajustada de superávit primário em 2013, registrando o pior nível de economia fiscal desde 2009 e evidenciando a piora e críticas sobre a condução das contas públicas do país. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino