4 de Fevereiro de 2014 / às 11:59 / em 4 anos

Indústria avança 1,2% em 2013 mas tem em dezembro pior resultado em 5 anos

Operário trabalha na linha de montagem de caminhões da marca sueca Scania AB, na planta de São Bernardo do Campo, São Paulo. A produção industrial brasileira encerrou 2013 com alta acumulada de 1,2 por cento, com destaque para o setor de Bens de Capital, mas em dezembro registrou o pior resultado mensal em cinco anos ao recuar 3,5 por cento, o que aponta para um início de 2014 complicado. 15/09/2010. REUTERS/Paulo Whitaker

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 4 Fev (Reuters) - A produção industrial brasileira encerrou 2013 com alta acumulada de 1,2 por cento, com destaque para o setor de Bens de Capital, mas em dezembro registrou o pior resultado mensal em cinco anos ao recuar 3,5 por cento, o que aponta para um início de 2014 complicado.

Apesar da alta representar o melhor desempenho desde 2010, o resultado do ano passado não foi suficiente para reverter a queda de 2,5 por cento em 2012, quando a produção industrial brasileira registrou a primeira retração desde 2009.

Já a queda da produção em dezembro ante novembro, divulgada pelo IBGE nesta terça-feira, foi a segunda seguida e marcou o pior resultado desde dezembro de 2008, quando a atividade mostrou recuo de 12,2 por cento. Foi também bem pior do que a expectativa em pesquisa da Reuters, cuja mediana apontava queda de 1,50 por cento.

De acordo com o IBGE, o avanço da indústria em 2013 foi concentrado no primeiro semestre do ano, quando houve alta de 2,1 por cento, uma vez que os seis últimos meses registraram avanço de apenas 0,3 por cento.

“Encerramos 2013 com um patamar de produção equivalente ao do fim de 2009, quando a indústria ainda sentia os efeitos da crise do subprime. De lá para cá a indústria vem num processo de tentar recuperar o que foi perdido”, disse o economista do IBGE, André Macedo.

Em dezembro, a indústria brasileira operava 6,9 por cento abaixo do pico de produção observado em maio de 2011. E para piorar o cenário do final do ano passado, o IBGE ainda revisou o resultado de novembro sobre outubro para queda de 0,6 por cento, ante recuo de 0,2 por cento divulgado anteriormente.

“Ainda não podemos falar em tendência, mas já dá para ficar com um pouco de receio para o início de 2014. O ano deve começar difícil para a indústria”, avaliou a economista do ABC Brasil Mariana Hauer. Ela deve revisar para baixo sua estimativa o crescimento da indústria neste ano, de 2 por cento para algo em torno de 1,7 por cento.

Na comparação com dezembro de 2012, a produção caiu 2,3 por cento, ante expectativa do mercado de estabilidade. Na comparação anual em novembro, o avanço foi revisado para 0,3 por cento, de 0,4 por cento.

BENS DE CAPITAL

Entre as categorias de uso, o destaque do ano passado foi a dos Bens de Capital, uma medida de investimento, que mostrou alta de 13,3 por cento no acumulado do ano.

Entretanto, somente em dezembro essa categoria teve uma queda de 11,6 por cento ante novembro, a mais intensa desde janeiro de 2012 (-17,9 por cento).

“A contração de bens de capital em novembro e dezembro sugere que o ímpeto por trás do investimento pode estar enfraquecendo na margem devido à acomodação do significativo aumento visto durante o primeiro semestre de 2013”, avaliou O diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

Ele citou ainda como motivos de enfraquecimento o cenário de crescimento modesto da demanda em 2014 e a diminuição do impacto de uma série de estímulos fiscais.

O resultado negativo de dezembro em Bens de Capital foi influenciado principalmente pela menor produção de caminhões, que contribuíram para uma queda de 17,5 por cento nos veículos automotores em dezembro, em grande parte pela concessão de férias coletivas em várias empresas, de acordo com o IBGE.

“As paralisações não acontecem por acaso. Elas se devem a estoques acima do padrão e houve uma contração da demanda, além de juros maiores, restrição ao crédito e comprometimento da renda”, completou Macedo.

Veículos automotores foi um dos 22 ramos que tiveram queda mensal entre 27 pesquisados, sendo o principal impacto negativo. Ainda assim, eles registaram a maior influência positiva no acumulado de 2013, com avanço de 7,2 por cento.

A indústria brasileira apresentou um comportamento errático ao longo do ano passado, o que dificultou a recuperação da economia como um todo.

Para este ano, a expectativa na pesquisa Focus do Banco Central é de um crescimento de 2 por cento, avançando para 3,0 por cento em 2015. Para a economia como um todo, a projeção para 2014 é de expansão do PIB de 1,91 por cento.

De acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), a perspectiva para janeiro é otimista, uma vez que ele indicou expansão no início de 2014 com expansão.

Entretanto, as vendas de caminhões amargaram uma queda de quase 11 por cento em janeiro sobre um ano antes, a 10,8 mil unidades, segundo a Fenabrave, associação que representa as concessionárias.

Reportagem adicional de Felipe Pontes

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