Agricultores de MT ainda esperam benefícios de nova rota logística

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014 14:07 BRST
 

Por Gustavo Bonato

LUCAS DO RIO VERDE, Mato Grosso, 4 Fev (Reuters) - Parado às margens da BR-163, no coração da principal região produtora da soja de Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde, o agricultor Ailan Dal Molin observa o fluxo cada vez mais intenso de caminhões com soja e milho que seguem para o sul, rumo aos portos.

Mas ele está impaciente para ver os caminhões inverterem o sentido da viagem e seguirem para os portos da bacia do Rio Amazonas, encurtando a viagem e reduzindo os custos de logística.

"O agricultor é um eterno sonhador. A gente sabe há muitos anos que o caminho é para o norte. A gente sempre tem muita esperança, mas o governo deixa a gente muito na mão", disse Dal Molin, revelando o misto de esperança e ceticismo que impera entre os agricultores quando o assunto é a melhoria da infraestrutura de transporte na região.

A rota pelo norte está começando a virar realidade este ano, mas não deverá trazer benefícios imediatos, como a redução efetiva dos custos do frete, dizem especialistas e agricultores.

Após décadas de promessas, a BR-163 entre o Mato Grosso e Santarém, no Pará, está em fase final de pavimentação.

Apesar de ainda restarem muitos trechos sem asfalto, o avanço já é suficiente para viabilizar o frete até Miritituba, uma localidade às margens do Rio Tapajós, onde pelo menos uma dezena de empresas, incluindo grandes multinacionais, estão comprando terrenos e construindo terminais de transbordo.

Se de Lucas do Rio Verde a Santos (SP) os caminhões percorrem cerca de 2 mil quilômetros, até Miritituba o percurso cai pela metade, para pouco mais de mil quilômetros.

De lá, balsas carregadas de grãos seguirão até terminais marítimos em cidades como Barcarena, na região metropolitana de Belém (PA), de onde os navios graneleiros partirão rumo aos compradores internacionais.   Continuação...