Apagão atinge até 6 mi de pessoas; governo descarta racionamento

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014 21:54 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 4 Fev (Reuters) - Diversas regiões do Brasil tiveram corte de fornecimento de energia na tarde desta terça-feira por falhas no sistema de transmissão, deixando sem luz entre 5 milhões e 6 milhões de pessoas, em momento de baixa histórica dos reservatórios de hidrelétricas e de alta demanda por parte dos consumidores de energia.

O blecaute --o primeiro relevante no Brasil em 2014, ano em que o país recebe a Copa do Mundo-- ocorreu um dia após o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ter afirmado que o governo não enxergava "nenhum risco de desabastecimento de energia".

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, classificou como de "médio porte" a ocorrência nesta terça que atingiu cerca de 8 por cento da carga no Sul e no Sudeste --regiões mais afetadas.

Zimmermann afirmou que não há perigo de falta de energia do ponto de vista estrutural. "O sistema elétrico brasileiro tem capacidade instalada de cerca de 127 mil megawatts (MW) e o recorde da demanda de energia ontem (segunda-feira) foi de cerca de 84 mil MW", disse Zimmermann, descartando a possibilidade de racionamento de energia.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o apagão foi originado por curto-circuitos em linhas de transmissão no Tocantins, uma da Intesa e outra da Taesa. Após a configuração da perda dupla na transmissão entre Miracema e Colinas, foi determinado o desligamento do circuito remanescente, da Eletronorte, resultando na separação física dos sistemas de transmissão Norte e Nordeste do restante do sistema elétrico nacional.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que o processo de desligamento orquestrado evitou um apagão maior. "Quando acontece um fenômeno, um acidente, para você evitar apagar toda uma região, você tem um sistema que corta pequenas cargas em certos lugares e evita efeito dominó que apague toda uma região."

A Eletropaulo, em São Paulo, a Celesc, de Santa Catarina, e a Light, no Rio de Janeiro, e a paranaense Copel foram algumas das distribuidoras que interromperam o fornecimento de energia elétrica. A CEEE-D, que atua no Rio Grande do Sul, informou que também teve áreas afetadas, mas não forneceu detalhes.

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse a jornalistas no Rio de Janeiro que de 5 milhões a 6 milhões de pessoas foram atingidas pelo apagão.   Continuação...

 
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, concede entrevista coletiva em Brasília, nesta terça-feira. 04/02/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino