ENTREVISTA-Próximo presidente não vai corrigir problemas do país, diz Lawrence Pih

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014 09:07 BRST
 

Por Aluisio Pereira e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Independente do desfecho da corrida presidencial deste ano, o próximo governo brasileiro dificilmente terá força suficiente para enfrentar desafios que impedem o Brasil de ter crescimento forte e sustentado, segundo o presidente do Moinho Pacífico.

"Um governo mais ortodoxo prepararia melhor o Brasil para o futuro, mas a pergunta que surge é se ele teria cacife necessário para melhorar o país", disse Lawrence Pih, principal executivo da maior unidade de processamento de farinha de trigo da América Latina, em entrevista à Reuters. "Poderia melhorar, mas não vai resolver."

Para o empresário, dadas as evidências de esgotamento do ciclo de crescimento baseado em consumo, o país precisa criar um ambiente amigável para elevar os investimentos privados.

O movimento é necessário, segundo Pih, não só para sustentar crescimento econômico, mas também harmonizar oferta e demanda, relação cujo desequilíbrio tem mantido pressões inflacionárias e deteriorado as contas externas do país.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem subido ao redor de 6 por cento ao ano desde 2010, bem acima do centro da meta do Banco Central, de 4,5 por cento. Noutra frente, o déficit brasileiro acumulado em transações correntes desde 2008 deve superar 300 bilhões de dólares até dezembro.

Segundo Pih, esse quadro tende a manter o país numa trajetória de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ao redor de 2 por cento, ritmo claramente insatisfatório. Diante disso, a disposição do empresariado por investimentos deve seguir baixa, disse.

Pih, que se notabilizou após liderar uma corrente de empresários a favor do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, diz que a sensação predominante no meio privado é de que a presidente Dilma vai se reeleger, mesmo com a percepção de que houve um retrocesso na gestão macroeconômica.

"O empresariado brasileiro tem ciência de que a atual situação é insustentável", disse.   Continuação...